sexta-feira, 28 de maio de 2010

Espero por/ser ela!


Por muito menos que um suspiro já me atirei naquele rio escuro, louco e tão veloz que acordei com gosto de barro na boca. Não estava tão a fim de fazer as malas, então simplesmente me mudei. Pra onde quer que seu sorriso me impeça de correr. Paralisante como seu jeito de me acordar em um domingo já calmo. E ansioso fico quando nele não te vejo. Será Amelie?

Agora estás por aí, vagando assim como eu. E nesse instante, como em qualquer outro, me pego pensando em você. No que foi e no que poderia ter sido. Como olhar e moldar as nuvens de algodão. Foi, mudou. Tamanha é a minha vontade de te contar tudo o que aconteceu naquela viagem que a gente nunca fez. Pois é. Não quero mais fazê-las sozinho. É só me dar a mão.

E se, por qualquer desavença nossa com o tempo, este não quiser que a gente vá, então sempre poderemos fugir. Soa ainda mais divertido. Para onde ninguém nos conheça. Um lugar onde o mundo passa a ser somente eu e você! Preparo-te aquele café com ovos mexidos de outras manhãs. Sentamos os dois na rede da varanda e escutamos cada pingo de chuva. E sentimos frio juntos. Porque tanto assim, quero sentir todo o resto junto de ti!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Querida Karen

Querida Karen, se está lendo isto significa que finalmente tive coragem pra enviar. Bom pra mim. Você não me conhece muito bem, mas quando conhecer vai ver que tenho tendência de falar e falar sobre como escrever é difícil pra mim. Mas isso, isso é a coisa mais difícil que já tive que escrever. Não tem um jeito fácil de dizer isso, então vou só dizer: Conheci alguém. Foi acidental, eu não estava à procura, eu não estava à caça. Foi uma tempestade perfeita. Ela disse uma coisa, eu disse outra. Em seguida eu soube que queria passar o resto da vida naquela conversa. Agora tenho essa sensação no peito. Pode ser ela. Ela é totalmente louca, de um jeito que me faz sorrir, altamente neurótica. Grande manutenção necessária. Ela é você, Karen! Essa é a boa notícia. A má é que não sei como ficar com você agora. E isso me assusta pra caralho. Porque se eu não ficar com você agora, tenho a sensação de que vamos nos perder por aí. É um mundo grande, malvado, cheio de reviravoltas. E as pessoas têm um jeito de piscar e perder o momento. O momento que podia ter mudado tudo! Eu não sei o que está acontecendo com a gente, e não sei te dizer por que você deveria arriscar um salto no escuro pra gostar de mim, mas, porra, você cheira bem como um lar. E você faz um café ótimo, isso deve contar pra algo, certo? Me liga. Infielmente seu, Hank Moody.

- Trecho extraído de 'Californication' (Showtime)