
Por muito menos que um suspiro já me atirei naquele rio escuro, louco e tão veloz que acordei com gosto de barro na boca. Não estava tão a fim de fazer as malas, então simplesmente me mudei. Pra onde quer que seu sorriso me impeça de correr. Paralisante como seu jeito de me acordar em um domingo já calmo. E ansioso fico quando nele não te vejo. Será Amelie?
Agora estás por aí, vagando assim como eu. E nesse instante, como em qualquer outro, me pego pensando em você. No que foi e no que poderia ter sido. Como olhar e moldar as nuvens de algodão. Foi, mudou. Tamanha é a minha vontade de te contar tudo o que aconteceu naquela viagem que a gente nunca fez. Pois é. Não quero mais fazê-las sozinho. É só me dar a mão.
E se, por qualquer desavença nossa com o tempo, este não quiser que a gente vá, então sempre poderemos fugir. Soa ainda mais divertido. Para onde ninguém nos conheça. Um lugar onde o mundo passa a ser somente eu e você! Preparo-te aquele café com ovos mexidos de outras manhãs. Sentamos os dois na rede da varanda e escutamos cada pingo de chuva. E sentimos frio juntos. Porque tanto assim, quero sentir todo o resto junto de ti!