Por caminhos desonestos ele nunca se encontrara. Foram anos de renúncia aos sentimentos que ele não completamente entendia. Passou por esquinas e becos que assombrariam a alma dos mais castos. Não pediu ajuda uma única vez e viu perdidas incontáveis oportunidades. Até que, sonolento e ligeiramente embriagado, começou a pensar, quase como num transe, no peso de seus passos e nas conseqüentes marcas por onde passava. "Era assim que poderia decidir pra onde ir" - pensara repentinamente num surto de lucidez. O que veio depois dali foi uma desilusão! Encontrou-se com o diabo em inúmeras ocasiões e chegou até a pensar que poderia estender esta relação com um pacto por sua alma. Viu crimes sendo cometidos. Preconceitos e humilhações tão facilmente desferidos. O próximo não estava nem a uma milha de distância, e assim, não tinha mais próximos. Nem apego, nem pai, nem mãe. Não amava e, assim, não sentia mais nada. Já estava habituado neste comportamento blasé autodestrutivo empertigado até o fundo de seu estômago. Sua pele começava a pesar mais em seus poucos quilos e não duraria muito mais. Era somente a sombra do homem que uma vez tinha respirado. Talvez nunca homem, mas sim menino. Aconteceu tão rápido que sua mente não acompanhou de primeira. Sentiu o cheiro das flores do outro lado da avenida e esse cheiro para ele era sinal de velório. Não conseguia mais elevar o pé e andar por mais que tentasse. E queria. Estava grogue pelo cheiro como por um direto no queixo. Ela veio e a partir de sua visão nada mais fazia sentido. Estava numa outra dimensão e não sentia mais o peso, ou gravidade ou o que quer que seja que o puxava pra baixo. Foram poucos segundos e ela, com pressa, estava na sua frente. Pensou que seria atropelada e correndo simplesmente pulou na calçada e o abraçou. O mundo voltou aos seus olhos neste instante e ele pôde ainda a ouvir dizendo: "Obrigada". Ele não sabia como, nem porque, muito menos quando, mas estava com seus braços à volta dela, impedindo que ela caísse na rua, centímetros atrás de seus pés. Ele disse: "Quer parar de correr um pouco e tomar um café?". Ela respondeu: "Meu sonho!" Neste instante ele se tornou novamente no hipócrita que era anos e anos atrás, assim como a maioria das pessoas que você encontra no seu dia. Estas mesmas que dizem "corra atrás do seu sonho". Que merda é esta!? E o que você irá fazer quando alcançá-lo? Acordar??? Simplesmente viva com o que lhe foi dado, busque objetivos, e não sonhos. Alguma coisa que queira e que com razão possa fazer acontecer. Desejos, vontades, ambições, mas não dê ouvidos a este tipo de pessoa. A garota dos seus sonhos pode estar do outro lado do mundo, ou bem na sua frente!
Transforma tudo em palavras. O que se vê e o que sente. O que se compra e o que vende. Daqui até qualquer outro universo. Com ela a realidade pode parecer mais amena. Mas não menos intensa. Naquele quarto mal iluminado, suas únicas posses eram a mesinha corroída, o banquinho que a acompanhava, o colchão encostado no canto, folhas e mais folhas, o tinteiro e claro, A PENA! Tinha tudo o que precisava.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
De volta do inferno
O meu inferno é você! Não são mais os outros. Desde quando eu passei mais uma temporada em seu calor. Desfigurou-me a alma que agora não respira mais direito. Falta-lhe o suspiro de uma paixão desconcertante. Aquela que te eleva e você não liga de perder o chão. Qualquer outra passa a ser um mísero espirro de emoção. E não venha mais tão perto. Escolhas não são qualquer coisa que troques diário. Agora foi...
A jornada é sempre longa, árdua, espinhosa e não importa muito o físico nessa hora. Trabalha seus pecados e sangra. Isso só pode lhe fazer bem. Não está mais em condições de chorar por ajuda. E quem tentar só faz piorar tudo. Não é de ajuda que precisas. Precisa de cara. A sua cara. Com vergonha nela. E então seus pés nem sentirão o calor da brasa.
A caminho do céu, passa por todos os quais lhe importa. Rápido, deixa um beijo de vento em teu rosto. Não sentirás mais do que a brisa fria. E ainda estarei contigo. E não mais me importarei contigo. E sim, comigo. Porque destas caminhadas estou farto. Quero o meu passo duplicado. Por razão e sentimento. Ao qual não te vejo mais ao meu lado. Não sei mais porque tinha que ser assim. Mas que bom que já foi.
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