quinta-feira, 29 de julho de 2010

Olá problema


Olá problema. Você quer saber o que vai de mim já por agora...

Não por onde passamos, nem por onde estamos neste momento. Se com a corda no pescoço ou simplesmente sentindo o cheiro de uma dama da noite. A praça parece menor, a cidade não parece sair dali, o seu estado não tem mais a força que tivera e você ainda se agarra a coisas tão pequenas. O que aconteceu nesta caminhada?

O seu rosto já é diferente! Longe me vejo em outros braços e seu rosto passa como um reflexo do que antes nunca passara despercebido. Agora vai querer me convencer que estes poucos dias te fizeram assim. Não é possível passar uma gota desta culpa. Ela é toda sua. E deste momento em diante eu não ouço mais a próxima palavra sem que a anterior seja aceitação!

Já me passaram tantas coisas e eu ainda tento me convencer que este é o melhor caminho. Não tenho mais tanta certeza do que será o certo e do errado eu vou me virando. Até um dia, mesmo que sem definição nenhuma, aos trancos e barrancos, possamos nos encontrar mais uma vez.

Neste caso mal resolvido, entremeado por todos os possíveis detratores, seu olhar continuará passando pela minha porta. E se eu olhar pela janela é você quem eu vejo. Desde quando eu me deito ou viro até o sino soar. Um passo único em que eu não consigo e nem quero me virar! Se uma lágrima por alguma vez cair, o mundo pode revirar. É um tipo de efeito borboleta. E aí você já passou! Até a próxima.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Atenção

Duas pombas viviam sobre as vigas de madeira de uma casa antiga que pertencia à família do Sr. Malta. Aurora e Julieta tinham personalidades diferentes, mas isso não fazia delas menos amigas. Passaram toda a vida ali, naquela mesma casa. Não faziam bagunça, não irritavam os proprietários e nem sujavam o local, então viviam tranquilamente. Pelo menos Aurora vivia tranquilamente. O quanto sua paciência com Julieta lhe permitia.

Julieta não deixava a amiga um só minuto em paz. Talvez por não ter ninguém mais com quem conversar ali. Era uma falação só. Fofoca atrás de fofoca. A vida da família parecia sua novela diária e ela não segurava comentário algum. Tudo dentro de sua única e exclusiva visão dos fatos. Para ela, era o que acontecia e o mundo continuava girando. Nada mais importava a não ser falar disto.

Julieta:
- Não está vendo o que acontece, Aurora? Este Sr. Malta não vale um grão de arroz. Sai todas as noites para encontrar os amigos no bar. Bebe todo o álcool possível e só consegue voltar pra casa passada a meia noite. Sinta só o cheiro que fica impregnado em suas roupas! Não vale nada mesmo né!?

Aurora:
- Pare com isto. A casa vai cair para o seu lado.

Julieta:
- Mas veja só como são as coisas, amiga. A Sra. Malta também não deixa por menos. Êta mulherzinha sem vergonha. Acompanha o marido na noite, mas não fala nada. Pelo contrário. Ela trás rodadas e mais rodadas para a mesa. Canta, dança e sapateia. E todos ficam a olhando como uma meretriz!

Aurora:
- Pare já com isto, amiga. Já te disse que a casa vai cair para o seu lado!

Julieta:
- Veja se tem cabimento, Aurora! Será que não vêem o que já fizeram com as crias. O mais velho foi pra cidade grande. Disse que virou ator. Ah, ta. Aposto todo meu milho que está é fazendo programas por lá. E o do meio. Depois de formar advogado foi defender marginais e corruptos. Aposto que é na porta da cadeia que vive. Agora ainda levou o mais novo para ser seu contador e de todos os chefões para quem trabalha. Menino burro esse caçula viu! Também pudera...

Aurora interrompe bruscamente e diz em meio a um rasante em direção à janela:
- Olha só. Eu bem que tentei avisar. Cala essa boca e olha para trás!

Neste momento a única coisa que Julieta vislumbra são seus últimos segundos com uma enorme bola de aço da máquina de demolição vindo em sua direção e levando tudo por onde passa. Em instantes a casa está totalmente no chão e não sobra uma pluma.

O que acontecia ali? Aurora talvez possa lhe explicar.

- O Sr. Malta recebeu uma proposta de uma construtora para construção do maior prédio que a cidade já viu e a costumeira dos encontros para negociação ali eram feitos no bar, regados a muito chopp. Esperto que só, ele levava a Sra. Malta para distrair os empresários e abocanhar um preço maior e mais outras grandes partes da negociação. Assim feito, no final, ele conseguiu quatro super-apartamentos. Um pro casal e um para cada filho.

E os filhos?

- Todos vão muito bem, obrigada.

Simplesmente o que eu acho é que se as pessoas falassem menos e não se preocupassem tanto com a vida alheia, talvez, teriam tempo de ouvir. Principalmente seus próprios amigos.

domingo, 25 de julho de 2010

Schrödinger's cat



É como lutar contra a gravidade, sabe? Você sempre vai cair de cara no chão!

Naqueles tempos eu ainda acreditava que poderia dar certo. Tudo fica embaçado, turvo, embriagado. Você espera que tudo dê completamente certo, sem arestas para se aparar e sem espaços para o que possa dar errado. O tempo está bom, os dias passam na sua precisa velocidade e você está completamente satisfeito com o som, as cores e o cheiro de tudo. Pois é, você está apaixonado! Você simplesmente esquece que este seu desejo não comanda nem um outro e é extremamente individualista. Ele lhe tira a razão, o senso de direção e todo e qualquer sono, mesmo que seja o seu miserável sono de algumas poucas horas num final de madrugada. Esta razão é seu pior inimigo. É seu primeiro combate e uma vez vencido não resta nada o que fazer. Assim fico. Mão no queixo, à espera. Olhos grudados em uma foto sua. O pensamento voa, o coração dispara como uma bala e não vê quando chega perto. É a rapidez do sonho. Já atinge o alvo sem que conte até três. Não é possível voltar atrás. Desta caminhada o que se pode é virar. Pena que todas as esquinas me levem de volta. Voltas e mais voltas necessárias para que você tenha um minuto de vantagem. Não é muita coisa, eu sei, mas pode-se amedrontar. Sabe-se que, de toda maneira, é claro que precisamos ver no que vai dar. Ah, eu não quero saber agora! Eu quero a conveniência por enquanto. E assim pensar que ainda tenho uma gatinha na caixa! Cara esperto esse Schrödinger viu...

“IT’S FUNNY HOW FALLIN’ FEELS LIKE FLYIN’
FOR A LITTLE WHILE”

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Numb

00:34:41
- Hudson, o que você busca em um relacionamento?
- Basicamente alguém que me suporte. E você?
- Bem, eu queria saber que, mesmo se eu perder meus braços e pernas, continuaríamos juntos. E quando ele disser meu nome, soar diferente se sair de sua boca. Sabe, me sentir segura com ele. Ou que eu ponha perfume e ele ponha colônia e que ao sairmos juntos possamos nos sentir. Que me faça sorrir quando estiver cansada. Isso é importante. Ou que lhe diga alguma coisa que você tenha medo de dizer por que acha que assim ele não te amará, mas quando você diz, fica surpreendida, porque pelo contrário. Faz ele te amar ainda mais. Ou dizer que gosto de sua camisa e ele então usar ela todos os dias. Meu maior exemplo disso são meus avós. Minha avó tem artrite nas mãos e não pode se dobrar pra pintar as unhas. Então meu avô faz isto por ela, o tempo todo. Mesmo que ele também tenha artrite nas mãos.
- Então, gostou da casa?
- Eu gostei de você!

01:26:18
- Oi.
- Deus, oi.
- Como você está?
- Estou bem.
- Bom.
- Como você está?
- Estou bem.
- Bom.
- Estou melhor. Digo, eu nunca vou ser normal. Ainda me sentirei muito mais confortável às 4:45 na esquina da Av. Ventura com Woodman. Ei, olha, eu não quero te prender. Só quero que saiba que se você perder seus braços e pernas ainda ficaríamos juntos para sempre. Espero que isso não aconteça porque seus membros são maravilhosos. E quando eu disser seu nome sempre soará seguro. Não estou certo quanto ao perfume e colônia, mas eu poderia tentar. Poderia comprar algum. Eu sempre tentaria te fazer sorrir quando estivesse cansada. Sei que você acha que isso é muito difícil, mas eu acho que poderia fazê-lo. E você nunca deve ter medo de me dizer nada. E se você gostar dessa camisa, eu não a tiraria por um mês. E estaria disposto a pintar as unhas da sua avó para seu avô não ter de fazê-las mais. Você não tem que me salvar, Sara. Mas eu te amarei pelo resto da minha vida, assim, as coisas seriam bem melhores para mim se você estivesse por perto. Está bem.

Numb (2007)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Leaving on a Jet Plane



All my bags are packed, I'm ready to go.
I'm standing here outside your door
I hate to wake you up to say Goodbye

But the dawn is breaking it's early morn
The taxi's waiting he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'cause I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go

There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now they don't mean a thing

Everyplace I go I'll think of you
Every song I sing I'll sing for you
When I come back I'll bring your wedding ring

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'cause I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go

Well the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Then close your eyes and I'll be on my way

Dream about the days to come
When I won't have to leave you alone
About the times I won't have to say Goodbye

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'cause I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lado B


Sigo como se nada tivesse acontecido. Ninguém tivesse me tocado. Não tenho parada. Qualquer caminho fui eu mesmo que fiz. E agora algum rastro me persegue. Trilhas e mais trilhas e eu vou correr deste? Não posso, desde minha última cirurgia. O coração já não agüenta mais. Quando foi que ele te viu pela última vez e pulou do peito? Nem sombras, nem o vento, nem nada. O que acontece daqui tem que acontecer de lá. Sou o mesmo do outro lado. Só que invertido.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Enquanto


Um dia eu quis trocar cartas com você. Queria dizer que sinto sua falta, mesmo que há poucas horas eu tenha te visto. Que sua companhia me alegra por qualquer minuto e que mesmo por segundos eu estaria perfeito se estivesse com você. Na verdade não sei bem porque falar desta besteira, pois, qualquer pessoa estaria. Você é inteligente, doce, engraçada e simplesmente linda como se não quisesse ser. Isso não acontece.

Eu falo todas as besteiras possíveis que fariam qualquer um esconder-se no próximo dia e nunca mais sair à luz do sol. Espanta-me que minha respiração se exalte quando penso em você e me falte na sua presença. Não sei como e nem o que falar nestas horas. E agora a mente viaja. Por caminhos que não conhecem nossas pegadas, ainda. E as horas me pregam peças. Como se voassem quando qualquer pensamento meu pudesse por alguma desiludida razão te encontrar.

Perdido entre alguns destes caminhos eu acelero o passo pra ver se te encontro. E posso correr quatro ou cinco vezes a mesma distância. Quando você não quer sair de casa, tudo bem. Se você não quiser falar com alguém, também. Ainda estou no passo, e, passo. Você pode ficar em qualquer lugar que considere seu ‘forte’. Ou então sair em ‘campanha’ por onde quer que a poeira dos ventos lhe sopre. Aconteça o que acontecer, sob qualquer tempestade, eu estarei por perto para curti-la.

Algum dia você poderá, novamente, sentir minha mãos. Mesmo que eu esteja tão envergonhado pra lhe dizer. Elas não entendem disso. Só querem que você segure firme e pule. E, tão facilmente, assim meu coração volta a acelerar sem parada. Porque, de alguns e outros momentos, este não se iguala. E como num filme, sem graça, eu procuro lhe dizer que queria trocar cartas com você. Pra lhe dizer que me apaixonei por você!

Desta vida as linhas não se acabam...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

If I Can Dream



There must be peace and understanding sometime
Strong winds of promise that will blow away
The doubt and fear
If I can dream of a warmer sun
Where hope keeps shining on everyone
Tell me why, oh why, oh why won't that sun appear

We're lost in a cloud
With too much rain
We're trapped in a world
That's troubled with pain
But a long as a man
Has the strength to dream
He can redeem his soul and fly

Deep in my heart there's a trembling question
Still I am sure that the answer, answer gonna come somehow
Out there in the dark, there's a beckoning candle...oh yeah
And while I can think, while I can talk
While I can stand, while I can walk
While I can dream, please let my dream
Come true, right now
Let it come true right now
Oh yeah

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Na estação

Mesmo que o frio
Acabe em nós
Simples e esguio
Cortando a pele

Noutra estação
Ou num temporal
Antes como o clarão
Tire-nos da rede

Para que assim
Tente
E somente nos aumente
A sede

Que nos trajes de hoje, revele
Renegando qualquer desejo
E possa em seu tempo
Parar por um segundo e um reles beijo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Espera?


Eu sou seu cachorro, que lhe espera voltar de qualquer lugar que tenhas ido e quando chega te lambe como se nada tivesse acontecido. Não pensa e nem importa onde, quando e com quem estivera. Tem você como um prêmio por ter agüentado horas sem sua presença. Coisa quase impossível. Sua presença é o ar! E assim que lhe vê corre, pula e te abraça como pode para um momento em que queria lhe dizer: Amo-te, não me deixe por muito tempo nunca mais.

Eu sou seu gato, que fica quando você sai. Que sai quando você sai. E que simplesmente sai por natureza. Não espere que ele, por algum raro motivo, intempestivamente resolva ficar. O que acontece com ele é diferente. E diferente do que você possa pensar ele pensa em você o tempo todo. Não consegue se encontrar. Por mais que ande fica perdido. Entre gatas e lixos. Sempre fica com um olho no peixe e o outro na hora de voltar para seus braços.

Eu sou também seu homem. Este que você está e este que te quer pelo fim de nossas vidas. Na verdade, ele está completamente e absurdamente apaixonado por você. Não pode nem pensar em um momento em que você não esteja presente. Sua presença faz de tudo mais suportável quando nem tanta coisa é. O que faz você ser possivelmente minha única salvação. Deito-me e acordo. Assim ainda continuo pensando em você e nada muda. O que eu posso sempre, talvez, é voltar àquele ponto.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Talvez


Em meus sonhos ainda volto aos dias em que posso lhe rever. São poucos e hoje ainda uma névoa me atrapalha. Sem enxergar tudo claramente posso, mesmo que por instantes, te perder num estalar dos dedos. Na luta por ficar mais um pouco te olhando eu não me entrego. Corro, torço e forço todas as pontas para que, vez ou outra, você sinta meu coração. Não consigo dizer nada. É como tentar gritar pelo vidro a prova de som. Se nos vejo no parque não quero te perder, se na praça não quero te deixar e mesmo quando não te vejo ainda penso no que poderia. E como eu queria te abraçar. Olhar em seus olhos e dizer: É aqui que você deve ficar! Agora, espero por mais coragem. Ou mais força quem sabe. É possível que nos esbarremos por algum canto. Não é provável e isso me entristece e me tira o ar. Assim, acordo de um pulo e suando por todo o esforço que precisava de mais um segundo do seu olhar.