quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O que será do seu voto daqui 10 anos?

Na infância ainda era Filipe. Minha mãe sempre quis dessa maneira. E dali eu pedia sempre que mantivessem assim. Não quero dizer que não pensei em me mudar, transitar mais campos e explorar qualquer outra área. O que acontece exemplificado em alguns poucos pontos é exatamente isto. Quando no ‘jardim’ eu fazia alguma travessura, ou depois em ‘séries’ era mal-criado, ou corria por onde não se podia, ou se falava onde não devia. Não me entendam mal, sempre fui muito repreendido e assim ajeitando o que necessitava. Será?

Participei de tudo o quanto era capaz. Não perdia nada. Nem de intrometido. Fui escolhido pro futebol, pro vôlei, pra corrida de carros, pro marketing, desenho e escolha de cores. Agora estava bem esclarecido. Já era um jovem bem formado e sabia o que queria. Não aceitaria ninguém que fosse me impor outra vontade. Assim fiz meu caminho até esta data. Hoje sou vocalista (principal e único) da banda 'CIRCUS!', a qual sou idealizador/realizador/presidente, produzo e pago todas as contas (não me julgue ainda!), crítico musical, social e antropológico (por mais louco e intransigente que isso possa soar), tenho minha companhia (mesmo não sabendo onde ela se encontra neste exato momento) e um projeto nacional como representante do povo. Isto mesmo: “Sou O SEU CANDIDATO”!

O que acontece, na verdade, é que eu sabia que era muito enxerido! Participei de tudo, sim, como mero ‘gandula’. Literalmente no caso do futebol, no vôlei eu era o juiz, para a corrida eu dava a bandeirada, para o marketing saía gritando da escola pra casa (marketing ou castigo?!), desenhei todos os uniformes, mas nunca pude usá-los e na escolha das cores também nem uma única vez fui atendido.

Hoje, nada disso mais importa. Eu sou quem dita a moda e o comportamento de ‘uma’ juventude. Uso coturno, calça rasgada de fábrica, uma camisa descolada e alguma coisa que não combine. Sou eu quem compõe o meu e o seu personagem. Meus óculos estilo (new) ‘new-wave’ marcam meu território e as gatinhas dali são minhas. Apaixonadas me mandam beijos e cartinhas (ta bem, essa rima ficou fácil). A única coisa que me importo é em não fazer você pensar. Pois como eu disse um pouco antes e você nem deve se lembrar, eu sou do ‘CIRCUS!’, hoje me chamam de ‘Lipe’ e sou eu quem está arrebanhando todos os prêmios do momento. Sou o palhaço da hora.

Não pense que qualquer bobagem valha seu voto. Ou que você, ou isto, não faça alguma diferença. Se você simplesmente sorriu em alguma destas linhas pode-se pensar que entendeu, pelo menos um pouco do que está em jogo. O apoio e o combate são questões que devem ser debatidas. E o debate, sim, deve sempre prezar o enriquecimento mútuo. Sem empates. Com ambas vitórias!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Full Metal Jacket

00:22:00

Gunnery Sergeant Hartman:
- As armas mais mortíferas do mundo são um fuzileiro naval e seu fuzil. Seu instinto assassino deve ser estimulado, se quiserem sobreviver em combate. Seu fuzil é apenas uma ferramenta. É o coração duro que mata. Se o instinto assassino não for puro e forte vão hesitar na hora da verdade. Vocês não matarão. Serão fuzileiros mortos e estarão num mundo atolados de merda. Porque fuzileiros não podem morrer sem permissão! Entenderam, vermes?

Marines:
- Sr., sim Sr.!

01:51:10

Private Joker:
- Escrevemos nossos nomes nas páginas da história o bastante por hoje. Fomos para o Rio Perfume para passar a noite. Meus pensamentos vagam em sonhos eróticos com minha namorada, numa grande trepada de volta pra casa. Estou tão feliz por estar vivo, inteiro e partindo. Sim, eu estou num mundo atolado de merda. Mas estou vivo. E não estou com medo!

M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. We play fair but we work hard and we're in harmony. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse. Forever let us hold our banner high. High. High. High. High. Boys and girls from far and near are welcome as can be. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Who's the leader of the club that's made for you and me? M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. We were sparked from coast to coast and far across the sea. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse. Forever let us hold our banner high. High. High. High. High. Come along and sing a song and join our family! M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Who's the leader of the club that's made for you and me? M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Hey there! Hi there! Ho there! You're as welcome as can be. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse.

Full Metal Jacket (1987)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Doente!



Entre os anos de 1964 e 1973, quando muitos países da América Latina passavam por ditaduras militares, Joaquín Salvador Lavado, o Quino, criou a personagem 'Mafalda', uma das mais famosas charges no mundo. Ela é uma criança com uma visão crítica da realidade, contestando assuntos e fatos que levam à injustiça, à guerra e ao racismo e demonstrando sua preocupação com a humanidade e a paz mundial.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Don't Be Cruel

You know I can be found
Sitting home all alone
If you can't come around
At least please telephone

Don't be cruel to a heart that's true

Baby, if I made you mad
For something I might have said
Please, let's forget the past
The future looks bright ahead

Don't be cruel to a heart that's true

I don't want no other love
Baby it's just you I'm thinking of

(...)

Elvis Presley

Dwight Hendricks (Jason Lee) - Memphis Beat (TNT)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Num dia frio...

Ele andava cabisbaixo e rápido como se cada passo tivesse sido previamente estudado em toda sua logística. Calça jeans surrada, camisa de malha autenticamente amarrotada por um cochilo e as mãos dentro de uma jaqueta em que tentava espantar o frio. Naqueles dias o frio castigava a cidade e todos os mortais estavam um pouco mais congelados no quesito compaixão. Ele, tido como ‘aéreo’ por sempre pensar, falar e agir diferente, talvez por um capricho de algum deus entediado não entrava naquela lista e seu coração, num choque, pulsou como uma bomba e arrepiou todos os seus sentidos. Na sua análise e estudo da logística daquele caminho ele não previu o acaso. Ela! Linda até o último fio de cabelo e infinita como o céu da cor de seus olhos. Ela já tentara atravessar a rua uma dúzia de vezes e ninguém percebera. Não foi o trânsito que a impediu. Foi seu medo. Agora quando já tinha desistido e estava indo embora de vez, descontrolada pelo insucesso, deu um encontrão frontal com o corpo dele que pareciam dois mundos se chocando. E era verdade. Pediu desculpas mais envergonhada e continuou em seus passos. Ele queria também se desculpar, mas a fala não mais saía. As pernas estremeceram e ele sentou no meio-fio para respirar. Com alguns minutos de meia paz, como é possível em qualquer cidade ‘ligeiramente’ grande, ele estava bem. Só não contava que neste mesmo momento ela estaria pensando no que lhe acontecera. Ela era por assim dizer desesperada por todas as coisas que regiam seus movimentos e até os movimentos do planeta. Olhava horóscopo, consultava à mãe e todas as entidades físicas ou não que lhe encaminhassem nalgum caminho que lhe fizesse bem. Ainda ninguém lhe dissera a bobagem que cometia. Foi então que voltou em sua direção e decidiu de vez entrar no hospital do outro lado da rua. Mais uma vez, por todo o parque ela direcionava seu caminho num passo e ninguém mais a via e havia. No instante em que parou e viu o sinal para o pedestre atravessar, sentiu novamente aquele aperto, aquela dúvida. Mas desta vez ela não percebera, e tinha parado exatamente ao lado onde ele estava sentado. Ele olhou para cima e viu seu horizonte ante o sol. Ela estava parada, congelada e não podia se mover. Ele então pegou em sua mão, levantou, segurou-a firme e disse: “Estou aqui para o que você precisar. Eu estou com você e não vou há lugar algum. Tenho todo o tempo do mundo”.


Todos temos MEDO e não existe fórmula para se fugir dele. O que realmente importa é ter alguém para nos dar a mão nessas horas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

The Lovely Bones

"If I had but an hour of love
If that be all that is given me
An hour of love upon this earth
I would give my love to thee."

The Moor, Othello

The Lovely Bones (2009)

sábado, 14 de agosto de 2010

MEU GRANDE AMOR

Me dá um beijo, meu bem
E deixa o mundo pegar fogo
Pois, você sabe, afinal
A vida não é toda carnaval
Nem o amor apenas um jogo.

Por você eu largo tudo
Terno, gravata rosa-shocking...
Só você faz com que eu vibre
Mais que um porre de cuba-libre
Ou um grande show de rock.

Eu não tenho profissão
Mas e daí? Vou ser garçom
Poeta, vendedor de quibe.
Em alguma praia do Caribe
Bancarei o guru do Leblon.

Casa comigo, meu bem
E vamos para Belo Horizonte
Chicago, São Paulo, Djacarta
Até no raio-que-o-parta
Sei lá, embaixo de uma ponte!

Dilermando Cardoso

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Hurricane



Pistol shots ring out in the ballroom night
Enter Patty Valentine from the upper hall.
She sees the bartender in a pool of blood,
Cries out, "My God, they’ve killed them all!"
Here comes the story of the Hurricane,
The man the authorities came to blame
For somethin' that he never done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.

Three bodies lyin' there does Patty see
And another man named Bello, movin' around mysteriously.
"I didn't do it," he says, and he throws up his hands
"I was only robbin' the register, I hope you understand.
I saw them leavin'," he says, and he stops
"One of us had better call up the cops."
And so Patty calls the cops
And they arrive on the scene with their red lights flashin'
In the hot New Jersey night.

Meanwhile, far away in another part of town
Rubin Carter and a couple of friends are drivin' around.
Number one contender for the middleweight crown
Had no idea what kinda shit was about to go down
When a cop pulled him over to the side of the road
Just like the time before and the time before that.
In Paterson that's just the way things go.
If you're black you might as well not show up on the street
'Less you wanna draw the heat.

Alfred Bello had a partner and he had a rap for the cops.
Him and Arthur Dexter Bradley were just out prowlin' around
He said, "I saw two men runnin' out, they looked likemiddleweights
They jumped into a white car with out-of-state plates."
And Miss Patty Valentine just nodded her head.
Cop said, "Wait a minute, boys, this one's not dead"
So they took him to the infirmary
And though this man could hardly see
They told him that he could identify the guilty men.

Four in the mornin' and they haul Rubin in,
Take him to the hospital and they bring him upstairs.
The wounded man looks up through his one dyin' eye
Says, "Wha'd you bring him in here for? He ain't the guy!"
Yes, here's the story of the Hurricane,
The man the authorities came to blame
For somethin' that he never done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.

Four months later, the ghettos are in flame,
Rubin's in South America, fightin' for his name
While Arthur Dexter Bradley's still in the robbery game
And the cops are puttin' the screws to him, lookin' for somebody to blame.
"Remember that murder that happened in a bar?"
"Remember you said you saw the getaway car?"
"You think you'd like to play ball with the law?"
"Think it might-a been that fighter that you saw runnin' that night?"
"Don't forget that you are white."

Arthur Dexter Bradley said, "I'm really not sure."
Cops said, "A poor boy like you could use a break
We got you for the motel job and we're talkin' to your friend Bello
Now you don't wanta have to go back to jail, be a nice fellow.
You'll be doin' society a favor.
That sonofabitch is brave and gettin' braver.
We want to put his ass in stir
We want to pin this triple murder on him
He ain't no Gentleman Jim."

Rubin could take a man out with just one punch
But he never did like to talk about it all that much.
It's my work, he'd say, and I do it for pay
And when it's over I'd just as soon go on my way
Up to some paradise
Where the trout streams flow and the air is nice
And ride a horse along a trail.
But then they took him to the jail house
Where they try to turn a man into a mouse.

All of Rubin's cards were marked in advance
The trial was a pig-circus, he never had a chance.
The judge made Rubin's witnesses drunkards from the slums
To the white folks who watched he was a revolutionary bum
And to the black folks he was just a crazy nigger.
No one doubted that he pulled the trigger.
And though they could not produce the gun,
The D.A. said he was the one who did the deed
And the all-white jury agreed.

Rubin Carter was falsely tried.
The crime was murder "one," guess who testified?
Bello and Bradley and they both baldly lied
And the newspapers, they all went along for the ride.
How can the life of such a man
Be in the palm of some fool's hand?
To see him obviously framed
Couldn't help but make me feel ashamed to live in a land
Where justice is a game.

Now all the criminals in their coats and their ties
Are free to drink martinis and watch the sun rise
While Rubin sits like Buddha in a ten-foot cell
An innocent man in a living hell.
That's the story of the Hurricane,
But it won't be over till they clear his name
And give him back the time he's done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.

domingo, 8 de agosto de 2010

Pai

“Talvez seja aqui também o ponto em que a ausência de culpa de ambos fica mais clara. A dá a B um conselho franco, correspondente à sua concepção de vida, não muito bonito, mas de qualquer modo ainda hoje perfeitamente usual na cidade e que talvez impeça prejuízos à saúde. Moralmente esse conselho não é muito reconfortante para B, mas não há razão alguma para que, no curso dos anos, ele não se recupere do dano; de mais a mais, ele certamente não precisa seguir o conselho e, seja como for, não há no próprio conselho nenhum motivo para que todo o futuro de B desmorone. E no entanto alguma coisa assim aconteceu, mas só porque você é A e eu sou B.”
- Carta ao Pai, Franz Kafka

De toda e qualquer maneira, queria ao menos simbolicamente, expressar minha gratidão por tudo meu pai. São muitas coisas e eu agradeço por tudo. Em matéria de conselhos, aos bons e os ruins, os que eu segui e os que nem olhei, os que deram certo e os que deram errado, e, mais ainda, toda a forma como você ajudou a me guiar pelo caminho que hoje me faz o homem que sou. Com todas as imperfeições implicadas, ainda espero fazer pelo meu filho metade do que você fez e faz por mim. Sinta-se beijado e abraçado. Feliz dia dos pais.

sábado, 7 de agosto de 2010

Finalmente


É impossível imaginar como seu dia irá acabar! Além das ‘únicas’ 24 horas tem mais um mundo de variáveis em que sua esquina pode virar. E pode fazer você pensar: “E aí, faço nada?”. Mas o que acontece quando um trator desgovernado bate à sua porta? Sua casa vai simplesmente pelos ares! Eu digo saia da frente, por favor. E o que eu andei não passa pelos km marcados na beira da estrada. Entre asfalto e terra já precisei ultrapassar, já fui ultrapassado (posso em algum ou outro conceito até hoje o ser) e fazer paradas forçadas e/ou não. A ‘boemia’ de hoje passou pelo desconcerto axé naquele dia antes de ontem e não existe mais aquela ressaca. Não a então física que uma ‘noiva’ resolva, mas uma ressaca emocional somente curada por uma overdose de tudo o que há de bom. Receber-te na porta com um beijo apaixonado, ver um filme segurando sua mão e ouvir The Beatles até pegar no sono.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amizade Correligionária

Foram em outros tempos que se acreditava em Papai Noel e que então decorreu o acontecido. Amizade é amizade e ele sempre acreditava no melhor das pessoas. Se mesmo por um instante, estivesse em plena e sã consciência como costumam dizer...

Em dias quentes como aqueles em que o rio se torna nossa varanda, a turma inteira saiu para pescar, beber uma cerveja gelada e falar o que der na telha. Foi uma animação só. Todos se preparavam para ‘a fuga’ e durante 3 dias não dariam explicações nem ao pardal que levasse uma pedrada ao lado da barraca de manhã e muito menos às iscas que pelo anzol relutavam.

Acontece que, como sempre alguma coisa tem que dar errado (lei de Murphy explícita), o óleo foi-se acabando, a bateria precisava de uma chupeta (não é isso que você pensa) e mais cerveja nunca é demais, então foram os 3 ‘corajosos’ até a primeira parada mais próxima (leia-se venda no mato na beira do nada) com o único intuito de salvar o restante de pescaria. Mesmo que para isto demorassem algum tempo na tarefa.

O que foi relatado depois disso nunca pôde ser confirmado, mas até os dias de hoje é confirmado e jurado de pés juntos um degrau abaixo da Aparecida. Diz-se que o Magno, entediado e ligeiramente embriagado, viu a última chama da fogueira apagar e não resistiu, foi tirar um cochilo até os companheiros voltarem. O Serginho já tinha caído no sono quando, meia hora antes, Magno num ‘pout-pourri’ inacabável, cantava a terceira versão de ‘Galopeira’.

Mesmo com poucos minutos de sono, os dois num mesmo instante, levantaram abraçando-se de medo quando escutaram o rugir da fera. Um urso pardo, com mais de 2 metros, o que era impressionante para quem nunca tinha visto nada maior do que um boi. Na medida do possível, os dois firmaram-se um nas pernas do outro e assim conseguiram alguns segundos para pensar no que cada um faria.

Serginho, ainda trêmulo, não conseguiu juntar muita coisa na cachola e ficou perdido enquanto o monstro se aproximava. Já Magno, rápido como um peido, alcançou suas botas numa só mãozada e já calçava quando escuta a pergunta do amigo:

- Amigo, este urso consegue correr até 50 km por hora. Não dá para você fugir nessa velocidade!

A resposta veio na rapidez do olhar, das poucas palavras e do começo da correria:

- Eu só preciso correr mais que você, Amigo!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Shakespeare in love

Will: (gritando com Thomas)
- Deu a ela minha carta?
Thomas: (gritando de volta)
- E essa é pra você.
(Will passa para o barco onde está Thomas e lê a carta)
Will:
- Ah, Thomas. Ela me partiu o coração. Estou castrado, irrecuperável e destruído. Como uma marionete em uma caixa.
Barqueiro:
- Escritor ele?
Will: (gritando com o barqueiro):
- Reme seu barco!
Will: (falando com Thomas)
- Ela disse pra me afastar. Vai se casar com Lord Wessex. O que eu faço?
Thomas:
- Se a ama tem de fazer o que lhe pede.
Will:
- E partir seu coração e o meu?
Thomas:
- Só pode saber do seu!
Will:
- Ela me ama, Thomas!
Thomas:
- Ela disse isso?
Will:
- Não. Mas suas lágrimas molharam a tinta. Ela chorava quando lhe entregou isto?
Thomas:
- Eu... A carta veio pela ama.
Will:
- Sua tia?
Thomas:
- Sim, minha tia. Talvez tenha chorado um pouco. Conte-me como a ama, Will.
Will:
- Como uma doença e sua cura, juntas.
Thomas:
- Sim, como a chuva e o sol, como o frio e o calor. Ela é bonita? Desde que eu vim do interior, não a vi de perto. Conte-me, ela é bonita?
Will: (olhando nos olhos de Thomas)
- Oh, se eu pudesse escrever a beleza de seus olhos. Eu nasci para viver e admirá-los.
Thomas:
- E seus lábios?
Will:
- Seus lábios. A rosa da manhã murcharia no galho de inveja.
Thomas:
- E sua voz? Como o canto da cotovia?
Will:
- Mais profunda. Mais suave. Não como o gorjeio da cotovia. Eu expulsaria os rouxinóis para que não interrompessem sua cantoria.
Thomas:
- Ela canta também?
Will:
- Constantemente. Sem dúvida. E toca alaúde, naturalmente. E os seios? Já mencionei seus seios?
Thomas:
- Que tem seus seios?
Will:
- Oh Thomas, redondos e firmes como um par de raras maçãs douradas.
Thomas:
- A acho inteligente por manter seu amor à distância. Que dama poderia viver à altura, quando seus olhos, seus lábios e sua voz podem ser mais belos que os meus? Além disso, pode uma dama nobre e rica casar com um desafortunado e pobre poeta de beira de rio?
Will:
- Sim! Por Deus! O amor desconhece posição ou lugar. Existe entre uma Rainha e um pobretão que se faz o Rei, e seu amor deve ser respeitado por isso, porque o amor negado destrói a alma que recebemos de Deus! Então diga a minha dama que Willian Shakespeare a espera no jardim!
Thomas:
- Mas e Lord Wessex?
Will:
- Por um beijo, enfrentaria mil Wessex!
(O barco chega à casa dos De Lesseps. Thomas beija Will, que fica sem ação)
Viola:
- Oh, Will.
(Ela entrega uma moeda ao barqueiro e corre para casa)
Barqueiro:
- Obrigado, minha dama!
Will:
- Dama?
Barqueiro:
- Viola De Lesseps. A conheço desde pequena. Não enganaria nem a uma criança.

Shakespeare in Love (1998)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Entregue

A avareza é sem dúvida um dos sinais mais confiáveis de infelicidade profunda” Franz Kafka

Ele parecia não mais se importar. Trabalhava única e exclusivamente em invalidar os passos de seu coração. Por onde andou tentava a nulidade. Despercebido, sem sombra pra sequer acompanha-lo. Caminhou entre ondas de um querer inimaginável. Sabia que dali alguns instantes outros ventos o levariam ainda mais distante. Onde procurava desaparecer novamente. Um café numa mesa com uma flor no centro. Pensamento vai ao longe. Será preciso mais uma vez procurar suas profundezas. O café foi bom para o despertar. Ele se viu envolvido no fundo dos seus olhos. Agora não mais pede por amor. Porque por amor não se pede. Ele se entrega com toda sua força. Ele e o amor. Não tolera mais nem um minuto a avareza de qualquer sentimento.