sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amizade Correligionária

Foram em outros tempos que se acreditava em Papai Noel e que então decorreu o acontecido. Amizade é amizade e ele sempre acreditava no melhor das pessoas. Se mesmo por um instante, estivesse em plena e sã consciência como costumam dizer...

Em dias quentes como aqueles em que o rio se torna nossa varanda, a turma inteira saiu para pescar, beber uma cerveja gelada e falar o que der na telha. Foi uma animação só. Todos se preparavam para ‘a fuga’ e durante 3 dias não dariam explicações nem ao pardal que levasse uma pedrada ao lado da barraca de manhã e muito menos às iscas que pelo anzol relutavam.

Acontece que, como sempre alguma coisa tem que dar errado (lei de Murphy explícita), o óleo foi-se acabando, a bateria precisava de uma chupeta (não é isso que você pensa) e mais cerveja nunca é demais, então foram os 3 ‘corajosos’ até a primeira parada mais próxima (leia-se venda no mato na beira do nada) com o único intuito de salvar o restante de pescaria. Mesmo que para isto demorassem algum tempo na tarefa.

O que foi relatado depois disso nunca pôde ser confirmado, mas até os dias de hoje é confirmado e jurado de pés juntos um degrau abaixo da Aparecida. Diz-se que o Magno, entediado e ligeiramente embriagado, viu a última chama da fogueira apagar e não resistiu, foi tirar um cochilo até os companheiros voltarem. O Serginho já tinha caído no sono quando, meia hora antes, Magno num ‘pout-pourri’ inacabável, cantava a terceira versão de ‘Galopeira’.

Mesmo com poucos minutos de sono, os dois num mesmo instante, levantaram abraçando-se de medo quando escutaram o rugir da fera. Um urso pardo, com mais de 2 metros, o que era impressionante para quem nunca tinha visto nada maior do que um boi. Na medida do possível, os dois firmaram-se um nas pernas do outro e assim conseguiram alguns segundos para pensar no que cada um faria.

Serginho, ainda trêmulo, não conseguiu juntar muita coisa na cachola e ficou perdido enquanto o monstro se aproximava. Já Magno, rápido como um peido, alcançou suas botas numa só mãozada e já calçava quando escuta a pergunta do amigo:

- Amigo, este urso consegue correr até 50 km por hora. Não dá para você fugir nessa velocidade!

A resposta veio na rapidez do olhar, das poucas palavras e do começo da correria:

- Eu só preciso correr mais que você, Amigo!

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