Passavam-se os minutos,
passavam-se as horas.
Passavam-se os dias,
passavam-se os tempos.
Abri a janela e nenhum vento, me rodeia?
Queria o espaço. Com percalço.
Antes que eu possa dizer ou fazer o que tenho feito em minha própria teia.
Quero o amor!
Quero o vermelho,
Quero o sol,
Quero mais de você flor.
Transforma tudo em palavras. O que se vê e o que sente. O que se compra e o que vende. Daqui até qualquer outro universo. Com ela a realidade pode parecer mais amena. Mas não menos intensa. Naquele quarto mal iluminado, suas únicas posses eram a mesinha corroída, o banquinho que a acompanhava, o colchão encostado no canto, folhas e mais folhas, o tinteiro e claro, A PENA! Tinha tudo o que precisava.
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Como não poderia deixar de ser
O sangue subiu-lhe à cabeça. Parecia ter entrado em estado de transe. Um estado onde era possível observar tudo o que se passava a sua volta de outro ponto, de outro ângulo. As formas eram ligeiramente modificadas. Nada que faria perder-se no processo para analisar quem é quem naquela situação. As cores não mudaram muito, vermelhas de um lado e cinza do outro. Não conseguia sentir o cheiro e o som era distorcido pelo próprio ar, mas entendia claramente o que se passava quase como que se pudesse ler os lábios. O masoquismo não era um sentimento agradável aos seus olhos, mas por mais fatídico que seja, deveria assistir a tudo. Até o último segundo do final.
As palavras feriam aquele corpo como espinhos do tamanho de facas e nada demais acontecia. Nenhuma palavra lhe parecia boa saindo de sua boca. Mas a esta altura era quase automático. Vertigem, Aceleração, Náuseas, Aquecimento, Obtusão, Lancinante, Irracionalidade, Grosseria, Opacidade...
O que acontecia a partir daquele momento era imprevisível. O sangue não voltaria ao normal de qualquer maneira por ele conhecida. Ficou ainda pensando por um longo tempo (se bem que naquele estado o tempo era ainda mais relativo e ele não fazia a menor noção se passara minuto ou hora) até conseguir de relance, talvez, pois entre tantas névoas não era possível ter certeza de nada, entender um movimento desta peça como um movimento em cadeia. Não sabia de onde partira e nem o que faria para continuar no jogo, mas, era importante que sobrevivesse até ver sua próxima jogada. Mesmo que seja só coração novamente. Sem estratégia alguma. Foi umDéjà vu!
As palavras feriam aquele corpo como espinhos do tamanho de facas e nada demais acontecia. Nenhuma palavra lhe parecia boa saindo de sua boca. Mas a esta altura era quase automático. Vertigem, Aceleração, Náuseas, Aquecimento, Obtusão, Lancinante, Irracionalidade, Grosseria, Opacidade...
O que acontecia a partir daquele momento era imprevisível. O sangue não voltaria ao normal de qualquer maneira por ele conhecida. Ficou ainda pensando por um longo tempo (se bem que naquele estado o tempo era ainda mais relativo e ele não fazia a menor noção se passara minuto ou hora) até conseguir de relance, talvez, pois entre tantas névoas não era possível ter certeza de nada, entender um movimento desta peça como um movimento em cadeia. Não sabia de onde partira e nem o que faria para continuar no jogo, mas, era importante que sobrevivesse até ver sua próxima jogada. Mesmo que seja só coração novamente. Sem estratégia alguma. Foi um
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Partida
Deixe-me ser bem claro. Traduzir o que se passa em meu coração nalguma oportunidade mínima pela qual, como uma brisa, eu passo voando. Traduzir em palavras meu sorriso, minha fúria e/ou minha frustração. Quem sabe assim conseguirei lapidar algumas possibilidades brutas, e, claro, descartar muita sujeira. Não é tudo o que eu desejo ou procuro, mas, neste caminho a sensação de fortalecimento, mesmo que insípida, faz com que as pernas não parem, e, as cores mudem.
Medo e apreensão me vêm a todo instante. Assim como ondas do meu mar interior. Medo de qualquer monstro que possa habitar um canto dessa imensidão. Apreensão por querer mais do que tudo navegar por esse mar enfrentando o que tiver pela frente. Pois, às vezes, me sinto numa armadura tão poderosa que nada nem ninguém poderiam penetrá-la. Mas outras como se tivesse quase nu em uma chuva de pregos.
Gostaria tanto de compartilhar alguns destes pensamentos. Ou todos, se possível. Mas minha loucura pode também ser modesta. Não sei como ou por onde começar. E minha razão nos protege por enquanto. Mas quando a hora chegar, espero que não sobre quase nada. Limpeza e reorganização geral. Sabe-se lá o que possa ainda ficar escondido em alguma gaveta inutilizada que não se abre há anos. Será que algum dia alcançarei um canto dessa imensidão?
Medo e apreensão me vêm a todo instante. Assim como ondas do meu mar interior. Medo de qualquer monstro que possa habitar um canto dessa imensidão. Apreensão por querer mais do que tudo navegar por esse mar enfrentando o que tiver pela frente. Pois, às vezes, me sinto numa armadura tão poderosa que nada nem ninguém poderiam penetrá-la. Mas outras como se tivesse quase nu em uma chuva de pregos.
Gostaria tanto de compartilhar alguns destes pensamentos. Ou todos, se possível. Mas minha loucura pode também ser modesta. Não sei como ou por onde começar. E minha razão nos protege por enquanto. Mas quando a hora chegar, espero que não sobre quase nada. Limpeza e reorganização geral. Sabe-se lá o que possa ainda ficar escondido em alguma gaveta inutilizada que não se abre há anos. Será que algum dia alcançarei um canto dessa imensidão?
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Chico Buarque na Brazuca
Os trechos a seguir foram retirados de uma reportagem na edição de março-abril da revista Brazuca, com Chico Buarque, feita por Daniel Cariello (editor) e Thiago Araújo (diretor). Chico estava passando uns dias em Paris e disse que não daria outra entrevista neste período. Os Jornalistas tiveram que ‘arranjar’, antes, um jogo de futebol (exigência de Chico).
Link da Revista: http://www.brazucaonline.org/
- Comunicação e Política
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.
Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.
Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
- Música e Literatura
E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
- Paixão e Amizade
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
Link da Revista: http://www.brazucaonline.org/
- Comunicação e Política
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.
Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.
Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
- Música e Literatura
E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
- Paixão e Amizade
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
sábado, 2 de outubro de 2010
Carta a você: Eleições 2010
"Quem tiver olhos para ver e ouvidos atentos pode convencer-se de que nenhum mortal
é capaz de manter segredo. Se os lábios estiverem silenciosos, a pessoa ficará
batendo os dedos na mesa e trairá a si mesma, suando por cada um dos seus poros!"
• Sigmund Freud
Amanhã é o dia! Vai-se às urnas com o voto pronto e certo. Não deixe que qualquer pessoa que seja decida por você. Seu voto é essencialmente SEU! E isso ninguém pode lhe tirar. Se você leu, ouviu, assistiu e acompanhou a corrida nas campanhas eleitorais brasileiras, tem condição de fazer valer seu voto. Toda a nossa esperança está em um governo forte, consciente e limpo. Sendo qual for o(a) eleito(a). Somente assim o Brasil pode seguir crescendo. E, é assim, com o ideal dos brasileiros, que se tem que governar. Lembre-se, seu candidato pode ficar quatro (ou até oito) anos por lá. Vote com propriedade e um bom domingo de eleições.
é capaz de manter segredo. Se os lábios estiverem silenciosos, a pessoa ficará
batendo os dedos na mesa e trairá a si mesma, suando por cada um dos seus poros!"
• Sigmund Freud
Amanhã é o dia! Vai-se às urnas com o voto pronto e certo. Não deixe que qualquer pessoa que seja decida por você. Seu voto é essencialmente SEU! E isso ninguém pode lhe tirar. Se você leu, ouviu, assistiu e acompanhou a corrida nas campanhas eleitorais brasileiras, tem condição de fazer valer seu voto. Toda a nossa esperança está em um governo forte, consciente e limpo. Sendo qual for o(a) eleito(a). Somente assim o Brasil pode seguir crescendo. E, é assim, com o ideal dos brasileiros, que se tem que governar. Lembre-se, seu candidato pode ficar quatro (ou até oito) anos por lá. Vote com propriedade e um bom domingo de eleições.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Apenas mais uma de amor

Não parta sem que antes eu possa dizer aquilo tudo por que sonhei. Qualquer dia destes me encontre na sua estação. E eu sei que esse trem já se foi há muito tempo. Eu não sigo qualquer horário, mas sempre me pego na tentativa inocente e vã de desencontrar nossos olhares. É impossível ou alguém é capaz? Passo horas no espaço de seus olhos, claros como o céu mais limpo. Entre brisas, o som do mar e o seu cabelo, me vem logo a vertigem de que eu não sou daquele lugar. Mas na verdade nem me importa. Qualquer lugar fica maravilhoso ao seu lado. Faz do inferno um leve sopro quente e do ártico um bom lugar pra se abraçar! Esquenta-me amor, que agora eu posso ficar. Só tenha cuidado. Coração de pano não quebra, mas é altamente inflamável.
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