quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Como não poderia deixar de ser

O sangue subiu-lhe à cabeça. Parecia ter entrado em estado de transe. Um estado onde era possível observar tudo o que se passava a sua volta de outro ponto, de outro ângulo. As formas eram ligeiramente modificadas. Nada que faria perder-se no processo para analisar quem é quem naquela situação. As cores não mudaram muito, vermelhas de um lado e cinza do outro. Não conseguia sentir o cheiro e o som era distorcido pelo próprio ar, mas entendia claramente o que se passava quase como que se pudesse ler os lábios. O masoquismo não era um sentimento agradável aos seus olhos, mas por mais fatídico que seja, deveria assistir a tudo. Até o último segundo do final.

As palavras feriam aquele corpo como espinhos do tamanho de facas e nada demais acontecia. Nenhuma palavra lhe parecia boa saindo de sua boca. Mas a esta altura era quase automático. Vertigem, Aceleração, Náuseas, Aquecimento, Obtusão, Lancinante, Irracionalidade, Grosseria, Opacidade...

O que acontecia a partir daquele momento era imprevisível. O sangue não voltaria ao normal de qualquer maneira por ele conhecida. Ficou ainda pensando por um longo tempo (se bem que naquele estado o tempo era ainda mais relativo e ele não fazia a menor noção se passara minuto ou hora) até conseguir de relance, talvez, pois entre tantas névoas não era possível ter certeza de nada, entender um movimento desta peça como um movimento em cadeia. Não sabia de onde partira e nem o que faria para continuar no jogo, mas, era importante que sobrevivesse até ver sua próxima jogada. Mesmo que seja só coração novamente. Sem estratégia alguma. Foi um Déjà vu!

Um comentário:

  1. Encontrei.

    Blog instigante...
    A descrição, os textos, a "cara"...
    Me fez lembrar que eu tinha um coração...(Apenas mais uma de amor)
    E eu lamentei...Mas foi bom.
    Eu ri, eu recordei, eu refleti, eu cresci um pouquinho. É isso.


    Sorte e até mais.

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