quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Partida

Deixe-me ser bem claro. Traduzir o que se passa em meu coração nalguma oportunidade mínima pela qual, como uma brisa, eu passo voando. Traduzir em palavras meu sorriso, minha fúria e/ou minha frustração. Quem sabe assim conseguirei lapidar algumas possibilidades brutas, e, claro, descartar muita sujeira. Não é tudo o que eu desejo ou procuro, mas, neste caminho a sensação de fortalecimento, mesmo que insípida, faz com que as pernas não parem, e, as cores mudem.

Medo e apreensão me vêm a todo instante. Assim como ondas do meu mar interior. Medo de qualquer monstro que possa habitar um canto dessa imensidão. Apreensão por querer mais do que tudo navegar por esse mar enfrentando o que tiver pela frente. Pois, às vezes, me sinto numa armadura tão poderosa que nada nem ninguém poderiam penetrá-la. Mas outras como se tivesse quase nu em uma chuva de pregos.

Gostaria tanto de compartilhar alguns destes pensamentos. Ou todos, se possível. Mas minha loucura pode também ser modesta. Não sei como ou por onde começar. E minha razão nos protege por enquanto. Mas quando a hora chegar, espero que não sobre quase nada. Limpeza e reorganização geral. Sabe-se lá o que possa ainda ficar escondido em alguma gaveta inutilizada que não se abre há anos. Será que algum dia alcançarei um canto dessa imensidão?

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