Transforma tudo em palavras. O que se vê e o que sente. O que se compra e o que vende. Daqui até qualquer outro universo. Com ela a realidade pode parecer mais amena. Mas não menos intensa. Naquele quarto mal iluminado, suas únicas posses eram a mesinha corroída, o banquinho que a acompanhava, o colchão encostado no canto, folhas e mais folhas, o tinteiro e claro, A PENA! Tinha tudo o que precisava.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O FASCÍNIO DO IMPOSSÍVEL
A vida se divide
entre o possível
e o impossível.
Confesso que o impossível
me fascina muito mais.
Assim, talvez, eu entenda
este sentimento que não se explica
e que faz do amor e da vida
fantasias tão reais.
Você passa por mim
como o vento
que não se toca, nem vê
mas por um momento
deixa a sensação
de que nada termina jamais.
Daí, me sinto como um peixe
que ao nadar na maré cheia
quebrando na praia deserta
só percebe que o mar foi embora
quando fica encalhado na areia.
Dilermando Cardoso
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Parecer
.jpg)
Estou a dois passos do carrasco. De lá só tenho asas e em meus mais profundos sonhos não poderia acontecer nada nem um pouco parecido com isto. Sou algum modelo do que era em outros tempos. O que me importava já não basta e o que me basta já não importa. Estou sempre à procura do algo mais. Aquele algo mais que nos falta em nosso sempre indesculpável finalmente.
Agora passo um ou outro dia sem saber se terminarei. Se terminarei minha cerveja, minha frase, ou minha mísera respiração. Hoje pode ser indiscretamente raro, pois te vi em sonhos estranhos durante toda a noite, mas é só verdade que eu penso nisto desde a manhã e o resto do dia! Será que alguma coisa me faça desejar-te menos?
Sinceramente não tenho a menor idéia do que nos possa acontecer nestas próximas horas. Eu sei que mesmo próximos, estamos a milhas distantes. E não há maré que nos direcione o quanto remar é preciso. Não que isto já funcionou alguma vez. Mas eu sempre rumo em tua direção. Somente tenha esta certeza! Não será mais tão difícil. Então, quando seremos nós dois em nosso próprio mundo? E nós contra tudo e todo o resto. Àquele em que o dia passa extremamente devagar. Pois, se passa rápido é porque estamos juntos. Se estivermos juntos temos todo o tempo e nada, nem ninguém mais importa neste mundo!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
In'verso
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Dos tempos

Espero que você veja, essencialmente, como me sinto. Fácil como ver você dormindo. Por muito tempo, eu sem saber me expressar, posso ter passado a impressão errada. As coisas acontecem tão rápidas e a gente às vezes se perde. É tão transparente que até me mete medo. De tantas em tantas eu ainda tenho alguns pedaços. Seu cheiro ainda está presente no quarto. Vejo tranquilamente, em cores, seu rosto no corredor. Olhando pra trás e me querendo mais perto para aproveitar sua pele em um último e delicado instante. E contando os passos nós ainda trocamos mais juras de amor. Não sei do amanhã e não tenho a menor intenção de procurá-lo agora. ‘Cause I’m leaving on a jet plane. Os dados não fazem mais o menor sentido. E qualquer duplo sentido se perde no nosso tempo. Deixe que me encontre quando a temperatura não mais me acobertar e a saudade me deixar entregue de bandeja. Por enquanto estou seguindo seus passos e é bom que eles sempre me levem de encontro a você. Exatamente como o meu pensamento quando escuto aquela música. Mesmo que por agora eu não possa te alcançar. De olhos fechados acerto sua direção. E onde você estiver, em qualquer lugar do planeta, em pensamento eu lá também estarei.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Pensar, pensar
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma."
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
- José Saramago 16/11/1922 - 17/06/2010
Este é o último post do blog Outros Cadernos de Saramago, postado hoje pela Fundação José Saramago, um dia após a morte do escritor português. Acredito que, hoje, toda a tinta que saia da pena seja tristeza. E, se Saramago estiver com Deus agora, provavelmente estarão discutindo as ideias do escritor.
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
- José Saramago 16/11/1922 - 17/06/2010
Este é o último post do blog Outros Cadernos de Saramago, postado hoje pela Fundação José Saramago, um dia após a morte do escritor português. Acredito que, hoje, toda a tinta que saia da pena seja tristeza. E, se Saramago estiver com Deus agora, provavelmente estarão discutindo as ideias do escritor.
domingo, 13 de junho de 2010
Entre eu e eu mesmo

Sempre insatisfeito, quase nunca só com uma coisa, lamento não agradecer pessoalmente. O momento é bom para expressar muito e repensar um pouco. Nem todo o ouro do mundo compraria meus minutos mais preciosos. E se, por um mero acaso, não lhe interessa, é aconselhável que pare imediatamente. Bons tempos, com gesso na perna por mais de uma vez o mesmo osso quebrado. Também alguns e outros pontos, visíveis ou não. Aos meus dois melhores amigos devo minha vida em fortuna. Paixões verdadeiras e um amor pra vida inteira. Nunca lhes poupei elogios nem meu esforço e não há do que se arrepender. Entre todos os erros e acertos tive o que pedi. Corri sempre que as pernas agüentaram. E se não corri, fiquei e lutei. Às vezes até perdido. E assim permaneci por alguns tempos. Sempre tendo noção de onde era o meu norte. Deste pouco que sou me fiz produto do gosto irrefutável dele e dela. Diz pra mãe que amo sim o seu frango com arroz. E toda e qualquer outra coisa que ela faça. Pede desculpas pro pai por ter sentado no lugar errado do ônibus. E que sentirei falta de sua companhia invisível e onipresente. Se por algum erro na contagem ainda estiver por aqui, diga a todos que continuarei fazendo tudo da mesma maneira que sempre fiz. Com amor no salto do peito. Diz também que cheguei bem e que já estou indo dormir. Só morri por um instante.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Impreciso
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Lucy in the sky with diamonds

Força de titã é necessária pra que eu pare meus movimentos que sempre querem ir de encontro a você. Contar-te porque passei aquela noite simplesmente te olhando. Você num céu cheio de estrelas em que cada uma seja bolinha de teu vestido. Me pego em pensamentos claros como seu sorriso e não mais o mundo me encontra. A música que toca não tem a menor chance contra teu olhar. E eu não me importo mais com ela ou qualquer outra coisa que seja. Se ao menos eu pudesse te contar. Quando foi que isto me impediu?! Ah, aquela tal maldita força.
Deitado na grama ou perdido em passos tortuosos por entre caminhos antes conhecidos eu não parei. Fico girando em um único e desolado compasso onde sequer recordo a tua direção. Naquela rua de pedras esquecidas onde as árvores se inclinam por cima tentando com movimentos certeiros esconder o teu brilho. Quase atingem umas as outras em um conluio de esforços. Sempre em vão!
E agora que fico mais novo a cada anoitecer, corro por onde possamos nos encontrar novamente. Paro em todo canto pensando que posso ter visto teu relance. Eram somente os diamantes brilhando naquele teu céu. Ofuscando toda e qualquer paródia do gostar singelo que meu apreço imaginou oferecer alguma outra vez. E mesmo que ainda não, nem este pouco, continuo por aí. A espera que um dia, por mais imprevisível, ainda assim minha força não seja mais contrária. Será uma força que lhe trará a chuva torrencial. De um sentimento sem igual.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Instantâneo

Foi incrível como que se o vento a tivesse trazido. Do mesmo jeito que sempre foi. Eu não perguntaria por nada. Simplesmente acontecera e eu me dava por contente. Este mesmo vento, tão rápido quanto inseguro, quase nunca no mesmo passo que eu. Passa e leva todo e qualquer alento. Resta somente o breu. E não sei por que, ainda não esperava por essa. Seu cabelo loiro como o girassol, iluminou minha noite, enrubesceu meu pensamento e eu finalmente acordei do sono chato de não saber. Pena que, assim, te empurrei para a toca do coelho.
Animal traiçoeiro. Leva-te como se não existisse mais nada além. E tu me escapas por entre os dedos. Estes coelhos têm alguma coisa de errado já na maneira de ser. Um poder sensorial descomunal. Pode ver o ambiente que o rodeia atrás de si, sem mexer o pescoço. Eu, míope, quase cego, não te vejo mais. Se foi com meu presente. Restam-me as águas de um hoje completamente cinza.
E nós, aqui sentados frente a frente. Sinto seu cheiro, doce como o chocolate de um gato da páscoa. Seu olhar, que parece ir até os confins de minh’alma e voltar num segundo. Sorriso que me encanta e destrói barreiras antes intransponíveis. Beijo que me aquece e me cala instantaneamente. Braços que me abraçam e mãos que me seguram. Algum resquício alimenta a teimosia do querer por onde quer que eu vá. Nem sempre é assim. Mas fico aqui. Nas mesmas coordenadas de outrora para que às vezes, mesmo que em um sonho louco, também caia por esta toca e possa quem sabe te reencontrar para um chá.
Que me perdoe o Raul, mas esta camisa amarela nunca lhe caiu tão bem.
Assinar:
Comentários (Atom)

