
Foi incrível como que se o vento a tivesse trazido. Do mesmo jeito que sempre foi. Eu não perguntaria por nada. Simplesmente acontecera e eu me dava por contente. Este mesmo vento, tão rápido quanto inseguro, quase nunca no mesmo passo que eu. Passa e leva todo e qualquer alento. Resta somente o breu. E não sei por que, ainda não esperava por essa. Seu cabelo loiro como o girassol, iluminou minha noite, enrubesceu meu pensamento e eu finalmente acordei do sono chato de não saber. Pena que, assim, te empurrei para a toca do coelho.
Animal traiçoeiro. Leva-te como se não existisse mais nada além. E tu me escapas por entre os dedos. Estes coelhos têm alguma coisa de errado já na maneira de ser. Um poder sensorial descomunal. Pode ver o ambiente que o rodeia atrás de si, sem mexer o pescoço. Eu, míope, quase cego, não te vejo mais. Se foi com meu presente. Restam-me as águas de um hoje completamente cinza.
E nós, aqui sentados frente a frente. Sinto seu cheiro, doce como o chocolate de um gato da páscoa. Seu olhar, que parece ir até os confins de minh’alma e voltar num segundo. Sorriso que me encanta e destrói barreiras antes intransponíveis. Beijo que me aquece e me cala instantaneamente. Braços que me abraçam e mãos que me seguram. Algum resquício alimenta a teimosia do querer por onde quer que eu vá. Nem sempre é assim. Mas fico aqui. Nas mesmas coordenadas de outrora para que às vezes, mesmo que em um sonho louco, também caia por esta toca e possa quem sabe te reencontrar para um chá.
Que me perdoe o Raul, mas esta camisa amarela nunca lhe caiu tão bem.
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