Transforma tudo em palavras. O que se vê e o que sente. O que se compra e o que vende. Daqui até qualquer outro universo. Com ela a realidade pode parecer mais amena. Mas não menos intensa. Naquele quarto mal iluminado, suas únicas posses eram a mesinha corroída, o banquinho que a acompanhava, o colchão encostado no canto, folhas e mais folhas, o tinteiro e claro, A PENA! Tinha tudo o que precisava.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Parenthood
May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
May you grow up to be righteous
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand upright and be strong
May you stay forever young
May you stay forever young.
Abertura da série com a música "Forever Young", de Bob Dylan.
Parenthood - NBC - 2009
sábado, 23 de outubro de 2010
Eu e a flor
Passavam-se os minutos,
passavam-se as horas.
Passavam-se os dias,
passavam-se os tempos.
Abri a janela e nenhum vento, me rodeia?
Queria o espaço. Com percalço.
Antes que eu possa dizer ou fazer o que tenho feito em minha própria teia.
Quero o amor!
Quero o vermelho,
Quero o sol,
Quero mais de você flor.
passavam-se as horas.
Passavam-se os dias,
passavam-se os tempos.
Abri a janela e nenhum vento, me rodeia?
Queria o espaço. Com percalço.
Antes que eu possa dizer ou fazer o que tenho feito em minha própria teia.
Quero o amor!
Quero o vermelho,
Quero o sol,
Quero mais de você flor.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Como não poderia deixar de ser
O sangue subiu-lhe à cabeça. Parecia ter entrado em estado de transe. Um estado onde era possível observar tudo o que se passava a sua volta de outro ponto, de outro ângulo. As formas eram ligeiramente modificadas. Nada que faria perder-se no processo para analisar quem é quem naquela situação. As cores não mudaram muito, vermelhas de um lado e cinza do outro. Não conseguia sentir o cheiro e o som era distorcido pelo próprio ar, mas entendia claramente o que se passava quase como que se pudesse ler os lábios. O masoquismo não era um sentimento agradável aos seus olhos, mas por mais fatídico que seja, deveria assistir a tudo. Até o último segundo do final.
As palavras feriam aquele corpo como espinhos do tamanho de facas e nada demais acontecia. Nenhuma palavra lhe parecia boa saindo de sua boca. Mas a esta altura era quase automático. Vertigem, Aceleração, Náuseas, Aquecimento, Obtusão, Lancinante, Irracionalidade, Grosseria, Opacidade...
O que acontecia a partir daquele momento era imprevisível. O sangue não voltaria ao normal de qualquer maneira por ele conhecida. Ficou ainda pensando por um longo tempo (se bem que naquele estado o tempo era ainda mais relativo e ele não fazia a menor noção se passara minuto ou hora) até conseguir de relance, talvez, pois entre tantas névoas não era possível ter certeza de nada, entender um movimento desta peça como um movimento em cadeia. Não sabia de onde partira e nem o que faria para continuar no jogo, mas, era importante que sobrevivesse até ver sua próxima jogada. Mesmo que seja só coração novamente. Sem estratégia alguma. Foi umDéjà vu!
As palavras feriam aquele corpo como espinhos do tamanho de facas e nada demais acontecia. Nenhuma palavra lhe parecia boa saindo de sua boca. Mas a esta altura era quase automático. Vertigem, Aceleração, Náuseas, Aquecimento, Obtusão, Lancinante, Irracionalidade, Grosseria, Opacidade...
O que acontecia a partir daquele momento era imprevisível. O sangue não voltaria ao normal de qualquer maneira por ele conhecida. Ficou ainda pensando por um longo tempo (se bem que naquele estado o tempo era ainda mais relativo e ele não fazia a menor noção se passara minuto ou hora) até conseguir de relance, talvez, pois entre tantas névoas não era possível ter certeza de nada, entender um movimento desta peça como um movimento em cadeia. Não sabia de onde partira e nem o que faria para continuar no jogo, mas, era importante que sobrevivesse até ver sua próxima jogada. Mesmo que seja só coração novamente. Sem estratégia alguma. Foi um
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Partida
Deixe-me ser bem claro. Traduzir o que se passa em meu coração nalguma oportunidade mínima pela qual, como uma brisa, eu passo voando. Traduzir em palavras meu sorriso, minha fúria e/ou minha frustração. Quem sabe assim conseguirei lapidar algumas possibilidades brutas, e, claro, descartar muita sujeira. Não é tudo o que eu desejo ou procuro, mas, neste caminho a sensação de fortalecimento, mesmo que insípida, faz com que as pernas não parem, e, as cores mudem.
Medo e apreensão me vêm a todo instante. Assim como ondas do meu mar interior. Medo de qualquer monstro que possa habitar um canto dessa imensidão. Apreensão por querer mais do que tudo navegar por esse mar enfrentando o que tiver pela frente. Pois, às vezes, me sinto numa armadura tão poderosa que nada nem ninguém poderiam penetrá-la. Mas outras como se tivesse quase nu em uma chuva de pregos.
Gostaria tanto de compartilhar alguns destes pensamentos. Ou todos, se possível. Mas minha loucura pode também ser modesta. Não sei como ou por onde começar. E minha razão nos protege por enquanto. Mas quando a hora chegar, espero que não sobre quase nada. Limpeza e reorganização geral. Sabe-se lá o que possa ainda ficar escondido em alguma gaveta inutilizada que não se abre há anos. Será que algum dia alcançarei um canto dessa imensidão?
Medo e apreensão me vêm a todo instante. Assim como ondas do meu mar interior. Medo de qualquer monstro que possa habitar um canto dessa imensidão. Apreensão por querer mais do que tudo navegar por esse mar enfrentando o que tiver pela frente. Pois, às vezes, me sinto numa armadura tão poderosa que nada nem ninguém poderiam penetrá-la. Mas outras como se tivesse quase nu em uma chuva de pregos.
Gostaria tanto de compartilhar alguns destes pensamentos. Ou todos, se possível. Mas minha loucura pode também ser modesta. Não sei como ou por onde começar. E minha razão nos protege por enquanto. Mas quando a hora chegar, espero que não sobre quase nada. Limpeza e reorganização geral. Sabe-se lá o que possa ainda ficar escondido em alguma gaveta inutilizada que não se abre há anos. Será que algum dia alcançarei um canto dessa imensidão?
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Chico Buarque na Brazuca
Os trechos a seguir foram retirados de uma reportagem na edição de março-abril da revista Brazuca, com Chico Buarque, feita por Daniel Cariello (editor) e Thiago Araújo (diretor). Chico estava passando uns dias em Paris e disse que não daria outra entrevista neste período. Os Jornalistas tiveram que ‘arranjar’, antes, um jogo de futebol (exigência de Chico).
Link da Revista: http://www.brazucaonline.org/
- Comunicação e Política
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.
Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.
Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
- Música e Literatura
E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
- Paixão e Amizade
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
Link da Revista: http://www.brazucaonline.org/
- Comunicação e Política
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.
Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.
Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
- Música e Literatura
E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
- Paixão e Amizade
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
sábado, 2 de outubro de 2010
Carta a você: Eleições 2010
"Quem tiver olhos para ver e ouvidos atentos pode convencer-se de que nenhum mortal
é capaz de manter segredo. Se os lábios estiverem silenciosos, a pessoa ficará
batendo os dedos na mesa e trairá a si mesma, suando por cada um dos seus poros!"
• Sigmund Freud
Amanhã é o dia! Vai-se às urnas com o voto pronto e certo. Não deixe que qualquer pessoa que seja decida por você. Seu voto é essencialmente SEU! E isso ninguém pode lhe tirar. Se você leu, ouviu, assistiu e acompanhou a corrida nas campanhas eleitorais brasileiras, tem condição de fazer valer seu voto. Toda a nossa esperança está em um governo forte, consciente e limpo. Sendo qual for o(a) eleito(a). Somente assim o Brasil pode seguir crescendo. E, é assim, com o ideal dos brasileiros, que se tem que governar. Lembre-se, seu candidato pode ficar quatro (ou até oito) anos por lá. Vote com propriedade e um bom domingo de eleições.
é capaz de manter segredo. Se os lábios estiverem silenciosos, a pessoa ficará
batendo os dedos na mesa e trairá a si mesma, suando por cada um dos seus poros!"
• Sigmund Freud
Amanhã é o dia! Vai-se às urnas com o voto pronto e certo. Não deixe que qualquer pessoa que seja decida por você. Seu voto é essencialmente SEU! E isso ninguém pode lhe tirar. Se você leu, ouviu, assistiu e acompanhou a corrida nas campanhas eleitorais brasileiras, tem condição de fazer valer seu voto. Toda a nossa esperança está em um governo forte, consciente e limpo. Sendo qual for o(a) eleito(a). Somente assim o Brasil pode seguir crescendo. E, é assim, com o ideal dos brasileiros, que se tem que governar. Lembre-se, seu candidato pode ficar quatro (ou até oito) anos por lá. Vote com propriedade e um bom domingo de eleições.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Apenas mais uma de amor

Não parta sem que antes eu possa dizer aquilo tudo por que sonhei. Qualquer dia destes me encontre na sua estação. E eu sei que esse trem já se foi há muito tempo. Eu não sigo qualquer horário, mas sempre me pego na tentativa inocente e vã de desencontrar nossos olhares. É impossível ou alguém é capaz? Passo horas no espaço de seus olhos, claros como o céu mais limpo. Entre brisas, o som do mar e o seu cabelo, me vem logo a vertigem de que eu não sou daquele lugar. Mas na verdade nem me importa. Qualquer lugar fica maravilhoso ao seu lado. Faz do inferno um leve sopro quente e do ártico um bom lugar pra se abraçar! Esquenta-me amor, que agora eu posso ficar. Só tenha cuidado. Coração de pano não quebra, mas é altamente inflamável.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Patch Adams
"Não te amo como se fosse uma rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que atiram chamas
Te amo como se ama certas coisas escuras, secretamente, entre a sombra e a alma
Eu te amo sem saber como nem quando nem de onde, te amo simplesmente, sem complicações nem orgulho
Assim te amo porque não conheço outra maneira, tão profundamente que tua mão em mim é a minha,
tão profundamente, que quando fecho os olhos contigo eu sonho".
A Dança, Pablo Neruda
Patch Adams (1998)
Te amo como se ama certas coisas escuras, secretamente, entre a sombra e a alma
Eu te amo sem saber como nem quando nem de onde, te amo simplesmente, sem complicações nem orgulho
Assim te amo porque não conheço outra maneira, tão profundamente que tua mão em mim é a minha,
tão profundamente, que quando fecho os olhos contigo eu sonho".
A Dança, Pablo Neruda
Patch Adams (1998)
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Como nasce um paradigma
Um grupo de cientistas reuniu cinco macacos numa jaula, em cujo centro colocou uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria (gelada!) nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi tentar subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...".
Não faça as coisas em sua vida simplesmente por parecer mais fácil o jeito como todos fazem, só por ser feito de algum ‘senso comum’. Paradigmas estão diretamente relacionados a tabus, preconceitos, falta de atualização e questionamento. Questione-se e faça o que achar necessário!
"Se você não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu" - Provérbio Chinês.
"É mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um paradigma" - Albert Einstein.
Não faça as coisas em sua vida simplesmente por parecer mais fácil o jeito como todos fazem, só por ser feito de algum ‘senso comum’. Paradigmas estão diretamente relacionados a tabus, preconceitos, falta de atualização e questionamento. Questione-se e faça o que achar necessário!
"Se você não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu" - Provérbio Chinês.
"É mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um paradigma" - Albert Einstein.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Não me venha com bom dia

As horas voam. Perco-me no seu tempo e quando olho já se passaram das duas. Johnny me acompanha fiel. O relógio atira seus minutos como dardos em minhas costas. Ele parece querer me mostrar algo que eu intimamente já sabia antes da metade da garrafa. A esta altura dificilmente escuto os passos cambaleantes do último bêbado saindo do bar. Provavelmente bebeu até o último centavo do táxi em umas 4 ou 5 saideiras. Vai escutar todos os palavrões possíveis em casa. Boa coisa! É sinal que conseguiu, de fato, chegar à sua casa.
Aquele tornado de pensamentos joga minhas idéias todas umas contra as outras. E eu estou errado em tudo, eu sei! Você diz que não está certo gostar mais de você. Eu continuo errado! E daquele dia em que me ajoelhei, perdido olhando em seus olhos daquela posição, até hoje em cada canto tem sua poeira. Agora, este mesmo espaço no relógio que reza em minhas costas me atiça em um ménage... Eu, você e o tempo!
Coloco um vinil. Your latest trick e você nem espera que seja. Lembra quando dançávamos juntos até o mundo inteiro sumir. Pois assim eu me viro. Não mais te engano. Mas me engano completamente desde que não mais esteja em seus braços. Um escudo mudo e indestrutível para todas as palavras desde o seu nome. Chegam às seis. Clareou Claire. Os meus olhos continuarão vermelhos até essa dormência ir embora de vez. Eu preciso urgentemente dormir. Mas não vou! Keep Walking...
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Amnésia e as nuvens
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Somente depois de muito tempo sentado, agora qualquer posição me parece desconfortável, percebo que não estava realmente aqui. Minh’alma viajava desgovernada por todos os caminhos por onde passei. Fazendo paradas incessantes, sempre, nos quais errei. A frustração que a acompanha é quase invisível, mas poderosa. Embaça tudo como uma névoa e embaralha teus sentidos. Ao final, o que resta é o aperto na garganta e um gosto amargo com falta de ar, provocando teu instinto. Chego a tentar fazer as contas de quantas vezes atravessei aquela rua, mas continuo perdido pela quantidade e, quando procuro por onde estávamos, seus olhos me vêem a mente. Não penso que ainda posso estar errado. Compro-te um suvenir. A única coisa que posso fazer. Não tem a cor que eu queria, nem o preço que meu bolso pode pagar, mas eu preciso calar o vendedor na tentativa sã de lembrar o número de nosso apartamento. Becos, travessas, ruas, de terra, pedras ou asfalto, eu não imagino quanto tempo já se passou. Não consigo ouvir o que as pessoas dizem e se consigo não entendo. Isso me faz lembrar porque errei. Mas não me faz levantar a cabeça e ver o caminho por onde você saiu. E perdido continuo. Solidão não cura com aspirina! São as nuvens...
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
O que será do seu voto daqui 10 anos?
Na infância ainda era Filipe. Minha mãe sempre quis dessa maneira. E dali eu pedia sempre que mantivessem assim. Não quero dizer que não pensei em me mudar, transitar mais campos e explorar qualquer outra área. O que acontece exemplificado em alguns poucos pontos é exatamente isto. Quando no ‘jardim’ eu fazia alguma travessura, ou depois em ‘séries’ era mal-criado, ou corria por onde não se podia, ou se falava onde não devia. Não me entendam mal, sempre fui muito repreendido e assim ajeitando o que necessitava. Será?
Participei de tudo o quanto era capaz. Não perdia nada. Nem de intrometido. Fui escolhido pro futebol, pro vôlei, pra corrida de carros, pro marketing, desenho e escolha de cores. Agora estava bem esclarecido. Já era um jovem bem formado e sabia o que queria. Não aceitaria ninguém que fosse me impor outra vontade. Assim fiz meu caminho até esta data. Hoje sou vocalista (principal e único) da banda 'CIRCUS!', a qual sou idealizador/realizador/presidente, produzo e pago todas as contas (não me julgue ainda!), crítico musical, social e antropológico (por mais louco e intransigente que isso possa soar), tenho minha companhia (mesmo não sabendo onde ela se encontra neste exato momento) e um projeto nacional como representante do povo. Isto mesmo: “Sou O SEU CANDIDATO”!
O que acontece, na verdade, é que eu sabia que era muito enxerido! Participei de tudo, sim, como mero ‘gandula’. Literalmente no caso do futebol, no vôlei eu era o juiz, para a corrida eu dava a bandeirada, para o marketing saía gritando da escola pra casa (marketing ou castigo?!), desenhei todos os uniformes, mas nunca pude usá-los e na escolha das cores também nem uma única vez fui atendido.
Hoje, nada disso mais importa. Eu sou quem dita a moda e o comportamento de ‘uma’ juventude. Uso coturno, calça rasgada de fábrica, uma camisa descolada e alguma coisa que não combine. Sou eu quem compõe o meu e o seu personagem. Meus óculos estilo (new) ‘new-wave’ marcam meu território e as gatinhas dali são minhas. Apaixonadas me mandam beijos e cartinhas (ta bem, essa rima ficou fácil). A única coisa que me importo é em não fazer você pensar. Pois como eu disse um pouco antes e você nem deve se lembrar, eu sou do ‘CIRCUS!’, hoje me chamam de ‘Lipe’ e sou eu quem está arrebanhando todos os prêmios do momento. Sou o palhaço da hora.
Não pense que qualquer bobagem valha seu voto. Ou que você, ou isto, não faça alguma diferença. Se você simplesmente sorriu em alguma destas linhas pode-se pensar que entendeu, pelo menos um pouco do que está em jogo. O apoio e o combate são questões que devem ser debatidas. E o debate, sim, deve sempre prezar o enriquecimento mútuo. Sem empates. Com ambas vitórias!
Participei de tudo o quanto era capaz. Não perdia nada. Nem de intrometido. Fui escolhido pro futebol, pro vôlei, pra corrida de carros, pro marketing, desenho e escolha de cores. Agora estava bem esclarecido. Já era um jovem bem formado e sabia o que queria. Não aceitaria ninguém que fosse me impor outra vontade. Assim fiz meu caminho até esta data. Hoje sou vocalista (principal e único) da banda 'CIRCUS!', a qual sou idealizador/realizador/presidente, produzo e pago todas as contas (não me julgue ainda!), crítico musical, social e antropológico (por mais louco e intransigente que isso possa soar), tenho minha companhia (mesmo não sabendo onde ela se encontra neste exato momento) e um projeto nacional como representante do povo. Isto mesmo: “Sou O SEU CANDIDATO”!
O que acontece, na verdade, é que eu sabia que era muito enxerido! Participei de tudo, sim, como mero ‘gandula’. Literalmente no caso do futebol, no vôlei eu era o juiz, para a corrida eu dava a bandeirada, para o marketing saía gritando da escola pra casa (marketing ou castigo?!), desenhei todos os uniformes, mas nunca pude usá-los e na escolha das cores também nem uma única vez fui atendido.
Hoje, nada disso mais importa. Eu sou quem dita a moda e o comportamento de ‘uma’ juventude. Uso coturno, calça rasgada de fábrica, uma camisa descolada e alguma coisa que não combine. Sou eu quem compõe o meu e o seu personagem. Meus óculos estilo (new) ‘new-wave’ marcam meu território e as gatinhas dali são minhas. Apaixonadas me mandam beijos e cartinhas (ta bem, essa rima ficou fácil). A única coisa que me importo é em não fazer você pensar. Pois como eu disse um pouco antes e você nem deve se lembrar, eu sou do ‘CIRCUS!’, hoje me chamam de ‘Lipe’ e sou eu quem está arrebanhando todos os prêmios do momento. Sou o palhaço da hora.
Não pense que qualquer bobagem valha seu voto. Ou que você, ou isto, não faça alguma diferença. Se você simplesmente sorriu em alguma destas linhas pode-se pensar que entendeu, pelo menos um pouco do que está em jogo. O apoio e o combate são questões que devem ser debatidas. E o debate, sim, deve sempre prezar o enriquecimento mútuo. Sem empates. Com ambas vitórias!
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Contos/Crônicas
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Full Metal Jacket
00:22:00
Gunnery Sergeant Hartman:
- As armas mais mortíferas do mundo são um fuzileiro naval e seu fuzil. Seu instinto assassino deve ser estimulado, se quiserem sobreviver em combate. Seu fuzil é apenas uma ferramenta. É o coração duro que mata. Se o instinto assassino não for puro e forte vão hesitar na hora da verdade. Vocês não matarão. Serão fuzileiros mortos e estarão num mundo atolados de merda. Porque fuzileiros não podem morrer sem permissão! Entenderam, vermes?
Marines:
- Sr., sim Sr.!
01:51:10
Private Joker:
- Escrevemos nossos nomes nas páginas da história o bastante por hoje. Fomos para o Rio Perfume para passar a noite. ♫ Meus pensamentos vagam em sonhos eróticos com minha namorada, numa grande trepada de volta pra casa. Estou tão feliz por estar vivo, inteiro e partindo. Sim, eu estou num mundo atolado de merda. Mas estou vivo. E não estou com medo!
♫ M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. We play fair but we work hard and we're in harmony. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse. Forever let us hold our banner high. High. High. High. High. Boys and girls from far and near are welcome as can be. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Who's the leader of the club that's made for you and me? M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. We were sparked from coast to coast and far across the sea. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse. Forever let us hold our banner high. High. High. High. High. Come along and sing a song and join our family! M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Who's the leader of the club that's made for you and me? M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Hey there! Hi there! Ho there! You're as welcome as can be. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse.
Full Metal Jacket (1987)
Gunnery Sergeant Hartman:
- As armas mais mortíferas do mundo são um fuzileiro naval e seu fuzil. Seu instinto assassino deve ser estimulado, se quiserem sobreviver em combate. Seu fuzil é apenas uma ferramenta. É o coração duro que mata. Se o instinto assassino não for puro e forte vão hesitar na hora da verdade. Vocês não matarão. Serão fuzileiros mortos e estarão num mundo atolados de merda. Porque fuzileiros não podem morrer sem permissão! Entenderam, vermes?
Marines:
- Sr., sim Sr.!
01:51:10
Private Joker:
- Escrevemos nossos nomes nas páginas da história o bastante por hoje. Fomos para o Rio Perfume para passar a noite. ♫ Meus pensamentos vagam em sonhos eróticos com minha namorada, numa grande trepada de volta pra casa. Estou tão feliz por estar vivo, inteiro e partindo. Sim, eu estou num mundo atolado de merda. Mas estou vivo. E não estou com medo!
♫ M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. We play fair but we work hard and we're in harmony. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse. Forever let us hold our banner high. High. High. High. High. Boys and girls from far and near are welcome as can be. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Who's the leader of the club that's made for you and me? M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. We were sparked from coast to coast and far across the sea. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse. Forever let us hold our banner high. High. High. High. High. Come along and sing a song and join our family! M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Who's the leader of the club that's made for you and me? M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Hey there! Hi there! Ho there! You're as welcome as can be. M-I-C-K-E-Y M-O-U-S-E. Mickey Mouse. Mickey Mouse.
Full Metal Jacket (1987)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Doente!

Entre os anos de 1964 e 1973, quando muitos países da América Latina passavam por ditaduras militares, Joaquín Salvador Lavado, o Quino, criou a personagem 'Mafalda', uma das mais famosas charges no mundo. Ela é uma criança com uma visão crítica da realidade, contestando assuntos e fatos que levam à injustiça, à guerra e ao racismo e demonstrando sua preocupação com a humanidade e a paz mundial.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Don't Be Cruel
You know I can be found
Sitting home all alone
If you can't come around
At least please telephone
Don't be cruel to a heart that's true
Baby, if I made you mad
For something I might have said
Please, let's forget the past
The future looks bright ahead
Don't be cruel to a heart that's true
I don't want no other love
Baby it's just you I'm thinking of
(...)
Elvis Presley
Dwight Hendricks (Jason Lee) - Memphis Beat (TNT)
Sitting home all alone
If you can't come around
At least please telephone
Don't be cruel to a heart that's true
Baby, if I made you mad
For something I might have said
Please, let's forget the past
The future looks bright ahead
Don't be cruel to a heart that's true
I don't want no other love
Baby it's just you I'm thinking of
(...)
Elvis Presley
Dwight Hendricks (Jason Lee) - Memphis Beat (TNT)
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Old is cool,
TV/Films
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Num dia frio...
Ele andava cabisbaixo e rápido como se cada passo tivesse sido previamente estudado em toda sua logística. Calça jeans surrada, camisa de malha autenticamente amarrotada por um cochilo e as mãos dentro de uma jaqueta em que tentava espantar o frio. Naqueles dias o frio castigava a cidade e todos os mortais estavam um pouco mais congelados no quesito compaixão. Ele, tido como ‘aéreo’ por sempre pensar, falar e agir diferente, talvez por um capricho de algum deus entediado não entrava naquela lista e seu coração, num choque, pulsou como uma bomba e arrepiou todos os seus sentidos. Na sua análise e estudo da logística daquele caminho ele não previu o acaso. Ela! Linda até o último fio de cabelo e infinita como o céu da cor de seus olhos. Ela já tentara atravessar a rua uma dúzia de vezes e ninguém percebera. Não foi o trânsito que a impediu. Foi seu medo. Agora quando já tinha desistido e estava indo embora de vez, descontrolada pelo insucesso, deu um encontrão frontal com o corpo dele que pareciam dois mundos se chocando. E era verdade. Pediu desculpas mais envergonhada e continuou em seus passos. Ele queria também se desculpar, mas a fala não mais saía. As pernas estremeceram e ele sentou no meio-fio para respirar. Com alguns minutos de meia paz, como é possível em qualquer cidade ‘ligeiramente’ grande, ele estava bem. Só não contava que neste mesmo momento ela estaria pensando no que lhe acontecera. Ela era por assim dizer desesperada por todas as coisas que regiam seus movimentos e até os movimentos do planeta. Olhava horóscopo, consultava à mãe e todas as entidades físicas ou não que lhe encaminhassem nalgum caminho que lhe fizesse bem. Ainda ninguém lhe dissera a bobagem que cometia. Foi então que voltou em sua direção e decidiu de vez entrar no hospital do outro lado da rua. Mais uma vez, por todo o parque ela direcionava seu caminho num passo e ninguém mais a via e havia. No instante em que parou e viu o sinal para o pedestre atravessar, sentiu novamente aquele aperto, aquela dúvida. Mas desta vez ela não percebera, e tinha parado exatamente ao lado onde ele estava sentado. Ele olhou para cima e viu seu horizonte ante o sol. Ela estava parada, congelada e não podia se mover. Ele então pegou em sua mão, levantou, segurou-a firme e disse: “Estou aqui para o que você precisar. Eu estou com você e não vou há lugar algum. Tenho todo o tempo do mundo”.
Todos temos MEDO e não existe fórmula para se fugir dele. O que realmente importa é ter alguém para nos dar a mão nessas horas.
Todos temos MEDO e não existe fórmula para se fugir dele. O que realmente importa é ter alguém para nos dar a mão nessas horas.
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Contos/Crônicas
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
The Lovely Bones
"If I had but an hour of love
If that be all that is given me
An hour of love upon this earth
I would give my love to thee."
The Moor, Othello
The Lovely Bones (2009)
If that be all that is given me
An hour of love upon this earth
I would give my love to thee."
The Moor, Othello
The Lovely Bones (2009)
sábado, 14 de agosto de 2010
MEU GRANDE AMOR
Me dá um beijo, meu bem
E deixa o mundo pegar fogo
Pois, você sabe, afinal
A vida não é toda carnaval
Nem o amor apenas um jogo.
Por você eu largo tudo
Terno, gravata rosa-shocking...
Só você faz com que eu vibre
Mais que um porre de cuba-libre
Ou um grande show de rock.
Eu não tenho profissão
Mas e daí? Vou ser garçom
Poeta, vendedor de quibe.
Em alguma praia do Caribe
Bancarei o guru do Leblon.
Casa comigo, meu bem
E vamos para Belo Horizonte
Chicago, São Paulo, Djacarta
Até no raio-que-o-parta
Sei lá, embaixo de uma ponte!
Dilermando Cardoso
E deixa o mundo pegar fogo
Pois, você sabe, afinal
A vida não é toda carnaval
Nem o amor apenas um jogo.
Por você eu largo tudo
Terno, gravata rosa-shocking...
Só você faz com que eu vibre
Mais que um porre de cuba-libre
Ou um grande show de rock.
Eu não tenho profissão
Mas e daí? Vou ser garçom
Poeta, vendedor de quibe.
Em alguma praia do Caribe
Bancarei o guru do Leblon.
Casa comigo, meu bem
E vamos para Belo Horizonte
Chicago, São Paulo, Djacarta
Até no raio-que-o-parta
Sei lá, embaixo de uma ponte!
Dilermando Cardoso
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Hurricane
Pistol shots ring out in the ballroom night
Enter Patty Valentine from the upper hall.
She sees the bartender in a pool of blood,
Cries out, "My God, they’ve killed them all!"
Here comes the story of the Hurricane,
The man the authorities came to blame
For somethin' that he never done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.
Three bodies lyin' there does Patty see
And another man named Bello, movin' around mysteriously.
"I didn't do it," he says, and he throws up his hands
"I was only robbin' the register, I hope you understand.
I saw them leavin'," he says, and he stops
"One of us had better call up the cops."
And so Patty calls the cops
And they arrive on the scene with their red lights flashin'
In the hot New Jersey night.
Meanwhile, far away in another part of town
Rubin Carter and a couple of friends are drivin' around.
Number one contender for the middleweight crown
Had no idea what kinda shit was about to go down
When a cop pulled him over to the side of the road
Just like the time before and the time before that.
In Paterson that's just the way things go.
If you're black you might as well not show up on the street
'Less you wanna draw the heat.
Alfred Bello had a partner and he had a rap for the cops.
Him and Arthur Dexter Bradley were just out prowlin' around
He said, "I saw two men runnin' out, they looked likemiddleweights
They jumped into a white car with out-of-state plates."
And Miss Patty Valentine just nodded her head.
Cop said, "Wait a minute, boys, this one's not dead"
So they took him to the infirmary
And though this man could hardly see
They told him that he could identify the guilty men.
Four in the mornin' and they haul Rubin in,
Take him to the hospital and they bring him upstairs.
The wounded man looks up through his one dyin' eye
Says, "Wha'd you bring him in here for? He ain't the guy!"
Yes, here's the story of the Hurricane,
The man the authorities came to blame
For somethin' that he never done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.
Four months later, the ghettos are in flame,
Rubin's in South America, fightin' for his name
While Arthur Dexter Bradley's still in the robbery game
And the cops are puttin' the screws to him, lookin' for somebody to blame.
"Remember that murder that happened in a bar?"
"Remember you said you saw the getaway car?"
"You think you'd like to play ball with the law?"
"Think it might-a been that fighter that you saw runnin' that night?"
"Don't forget that you are white."
Arthur Dexter Bradley said, "I'm really not sure."
Cops said, "A poor boy like you could use a break
We got you for the motel job and we're talkin' to your friend Bello
Now you don't wanta have to go back to jail, be a nice fellow.
You'll be doin' society a favor.
That sonofabitch is brave and gettin' braver.
We want to put his ass in stir
We want to pin this triple murder on him
He ain't no Gentleman Jim."
Rubin could take a man out with just one punch
But he never did like to talk about it all that much.
It's my work, he'd say, and I do it for pay
And when it's over I'd just as soon go on my way
Up to some paradise
Where the trout streams flow and the air is nice
And ride a horse along a trail.
But then they took him to the jail house
Where they try to turn a man into a mouse.
All of Rubin's cards were marked in advance
The trial was a pig-circus, he never had a chance.
The judge made Rubin's witnesses drunkards from the slums
To the white folks who watched he was a revolutionary bum
And to the black folks he was just a crazy nigger.
No one doubted that he pulled the trigger.
And though they could not produce the gun,
The D.A. said he was the one who did the deed
And the all-white jury agreed.
Rubin Carter was falsely tried.
The crime was murder "one," guess who testified?
Bello and Bradley and they both baldly lied
And the newspapers, they all went along for the ride.
How can the life of such a man
Be in the palm of some fool's hand?
To see him obviously framed
Couldn't help but make me feel ashamed to live in a land
Where justice is a game.
Now all the criminals in their coats and their ties
Are free to drink martinis and watch the sun rise
While Rubin sits like Buddha in a ten-foot cell
An innocent man in a living hell.
That's the story of the Hurricane,
But it won't be over till they clear his name
And give him back the time he's done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.
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Old is cool
domingo, 8 de agosto de 2010
Pai
“Talvez seja aqui também o ponto em que a ausência de culpa de ambos fica mais clara. A dá a B um conselho franco, correspondente à sua concepção de vida, não muito bonito, mas de qualquer modo ainda hoje perfeitamente usual na cidade e que talvez impeça prejuízos à saúde. Moralmente esse conselho não é muito reconfortante para B, mas não há razão alguma para que, no curso dos anos, ele não se recupere do dano; de mais a mais, ele certamente não precisa seguir o conselho e, seja como for, não há no próprio conselho nenhum motivo para que todo o futuro de B desmorone. E no entanto alguma coisa assim aconteceu, mas só porque você é A e eu sou B.”
- Carta ao Pai, Franz Kafka
De toda e qualquer maneira, queria ao menos simbolicamente, expressar minha gratidão por tudo meu pai. São muitas coisas e eu agradeço por tudo. Em matéria de conselhos, aos bons e os ruins, os que eu segui e os que nem olhei, os que deram certo e os que deram errado, e, mais ainda, toda a forma como você ajudou a me guiar pelo caminho que hoje me faz o homem que sou. Com todas as imperfeições implicadas, ainda espero fazer pelo meu filho metade do que você fez e faz por mim. Sinta-se beijado e abraçado. Feliz dia dos pais.
- Carta ao Pai, Franz Kafka
De toda e qualquer maneira, queria ao menos simbolicamente, expressar minha gratidão por tudo meu pai. São muitas coisas e eu agradeço por tudo. Em matéria de conselhos, aos bons e os ruins, os que eu segui e os que nem olhei, os que deram certo e os que deram errado, e, mais ainda, toda a forma como você ajudou a me guiar pelo caminho que hoje me faz o homem que sou. Com todas as imperfeições implicadas, ainda espero fazer pelo meu filho metade do que você fez e faz por mim. Sinta-se beijado e abraçado. Feliz dia dos pais.
sábado, 7 de agosto de 2010
Finalmente

É impossível imaginar como seu dia irá acabar! Além das ‘únicas’ 24 horas tem mais um mundo de variáveis em que sua esquina pode virar. E pode fazer você pensar: “E aí, faço nada?”. Mas o que acontece quando um trator desgovernado bate à sua porta? Sua casa vai simplesmente pelos ares! Eu digo saia da frente, por favor. E o que eu andei não passa pelos km marcados na beira da estrada. Entre asfalto e terra já precisei ultrapassar, já fui ultrapassado (posso em algum ou outro conceito até hoje o ser) e fazer paradas forçadas e/ou não. A ‘boemia’ de hoje passou pelo desconcerto axé naquele dia antes de ontem e não existe mais aquela ressaca. Não a então física que uma ‘noiva’ resolva, mas uma ressaca emocional somente curada por uma overdose de tudo o que há de bom. Receber-te na porta com um beijo apaixonado, ver um filme segurando sua mão e ouvir The Beatles até pegar no sono.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Amizade Correligionária
Foram em outros tempos que se acreditava em Papai Noel e que então decorreu o acontecido. Amizade é amizade e ele sempre acreditava no melhor das pessoas. Se mesmo por um instante, estivesse em plena e sã consciência como costumam dizer...
Em dias quentes como aqueles em que o rio se torna nossa varanda, a turma inteira saiu para pescar, beber uma cerveja gelada e falar o que der na telha. Foi uma animação só. Todos se preparavam para ‘a fuga’ e durante 3 dias não dariam explicações nem ao pardal que levasse uma pedrada ao lado da barraca de manhã e muito menos às iscas que pelo anzol relutavam.
Acontece que, como sempre alguma coisa tem que dar errado (lei de Murphy explícita), o óleo foi-se acabando, a bateria precisava de uma chupeta (não é isso que você pensa) e mais cerveja nunca é demais, então foram os 3 ‘corajosos’ até a primeira parada mais próxima (leia-se venda no mato na beira do nada) com o único intuito de salvar o restante de pescaria. Mesmo que para isto demorassem algum tempo na tarefa.
O que foi relatado depois disso nunca pôde ser confirmado, mas até os dias de hoje é confirmado e jurado de pés juntos um degrau abaixo da Aparecida. Diz-se que o Magno, entediado e ligeiramente embriagado, viu a última chama da fogueira apagar e não resistiu, foi tirar um cochilo até os companheiros voltarem. O Serginho já tinha caído no sono quando, meia hora antes, Magno num ‘pout-pourri’ inacabável, cantava a terceira versão de ‘Galopeira’.
Mesmo com poucos minutos de sono, os dois num mesmo instante, levantaram abraçando-se de medo quando escutaram o rugir da fera. Um urso pardo, com mais de 2 metros, o que era impressionante para quem nunca tinha visto nada maior do que um boi. Na medida do possível, os dois firmaram-se um nas pernas do outro e assim conseguiram alguns segundos para pensar no que cada um faria.
Serginho, ainda trêmulo, não conseguiu juntar muita coisa na cachola e ficou perdido enquanto o monstro se aproximava. Já Magno, rápido como um peido, alcançou suas botas numa só mãozada e já calçava quando escuta a pergunta do amigo:
- Amigo, este urso consegue correr até 50 km por hora. Não dá para você fugir nessa velocidade!
A resposta veio na rapidez do olhar, das poucas palavras e do começo da correria:
- Eu só preciso correr mais que você, Amigo!
Em dias quentes como aqueles em que o rio se torna nossa varanda, a turma inteira saiu para pescar, beber uma cerveja gelada e falar o que der na telha. Foi uma animação só. Todos se preparavam para ‘a fuga’ e durante 3 dias não dariam explicações nem ao pardal que levasse uma pedrada ao lado da barraca de manhã e muito menos às iscas que pelo anzol relutavam.
Acontece que, como sempre alguma coisa tem que dar errado (lei de Murphy explícita), o óleo foi-se acabando, a bateria precisava de uma chupeta (não é isso que você pensa) e mais cerveja nunca é demais, então foram os 3 ‘corajosos’ até a primeira parada mais próxima (leia-se venda no mato na beira do nada) com o único intuito de salvar o restante de pescaria. Mesmo que para isto demorassem algum tempo na tarefa.
O que foi relatado depois disso nunca pôde ser confirmado, mas até os dias de hoje é confirmado e jurado de pés juntos um degrau abaixo da Aparecida. Diz-se que o Magno, entediado e ligeiramente embriagado, viu a última chama da fogueira apagar e não resistiu, foi tirar um cochilo até os companheiros voltarem. O Serginho já tinha caído no sono quando, meia hora antes, Magno num ‘pout-pourri’ inacabável, cantava a terceira versão de ‘Galopeira’.
Mesmo com poucos minutos de sono, os dois num mesmo instante, levantaram abraçando-se de medo quando escutaram o rugir da fera. Um urso pardo, com mais de 2 metros, o que era impressionante para quem nunca tinha visto nada maior do que um boi. Na medida do possível, os dois firmaram-se um nas pernas do outro e assim conseguiram alguns segundos para pensar no que cada um faria.
Serginho, ainda trêmulo, não conseguiu juntar muita coisa na cachola e ficou perdido enquanto o monstro se aproximava. Já Magno, rápido como um peido, alcançou suas botas numa só mãozada e já calçava quando escuta a pergunta do amigo:
- Amigo, este urso consegue correr até 50 km por hora. Não dá para você fugir nessa velocidade!
A resposta veio na rapidez do olhar, das poucas palavras e do começo da correria:
- Eu só preciso correr mais que você, Amigo!
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Contos/Crônicas
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Shakespeare in love
Will: (gritando com Thomas)
- Deu a ela minha carta?
Thomas: (gritando de volta)
- E essa é pra você.
(Will passa para o barco onde está Thomas e lê a carta)
Will:
- Ah, Thomas. Ela me partiu o coração. Estou castrado, irrecuperável e destruído. Como uma marionete em uma caixa.
Barqueiro:
- Escritor ele?
Will: (gritando com o barqueiro):
- Reme seu barco!
Will: (falando com Thomas)
- Ela disse pra me afastar. Vai se casar com Lord Wessex. O que eu faço?
Thomas:
- Se a ama tem de fazer o que lhe pede.
Will:
- E partir seu coração e o meu?
Thomas:
- Só pode saber do seu!
Will:
- Ela me ama, Thomas!
Thomas:
- Ela disse isso?
Will:
- Não. Mas suas lágrimas molharam a tinta. Ela chorava quando lhe entregou isto?
Thomas:
- Eu... A carta veio pela ama.
Will:
- Sua tia?
Thomas:
- Sim, minha tia. Talvez tenha chorado um pouco. Conte-me como a ama, Will.
Will:
- Como uma doença e sua cura, juntas.
Thomas:
- Sim, como a chuva e o sol, como o frio e o calor. Ela é bonita? Desde que eu vim do interior, não a vi de perto. Conte-me, ela é bonita?
Will: (olhando nos olhos de Thomas)
- Oh, se eu pudesse escrever a beleza de seus olhos. Eu nasci para viver e admirá-los.
Thomas:
- E seus lábios?
Will:
- Seus lábios. A rosa da manhã murcharia no galho de inveja.
Thomas:
- E sua voz? Como o canto da cotovia?
Will:
- Mais profunda. Mais suave. Não como o gorjeio da cotovia. Eu expulsaria os rouxinóis para que não interrompessem sua cantoria.
Thomas:
- Ela canta também?
Will:
- Constantemente. Sem dúvida. E toca alaúde, naturalmente. E os seios? Já mencionei seus seios?
Thomas:
- Que tem seus seios?
Will:
- Oh Thomas, redondos e firmes como um par de raras maçãs douradas.
Thomas:
- A acho inteligente por manter seu amor à distância. Que dama poderia viver à altura, quando seus olhos, seus lábios e sua voz podem ser mais belos que os meus? Além disso, pode uma dama nobre e rica casar com um desafortunado e pobre poeta de beira de rio?
Will:
- Sim! Por Deus! O amor desconhece posição ou lugar. Existe entre uma Rainha e um pobretão que se faz o Rei, e seu amor deve ser respeitado por isso, porque o amor negado destrói a alma que recebemos de Deus! Então diga a minha dama que Willian Shakespeare a espera no jardim!
Thomas:
- Mas e Lord Wessex?
Will:
- Por um beijo, enfrentaria mil Wessex!
(O barco chega à casa dos De Lesseps. Thomas beija Will, que fica sem ação)
Viola:
- Oh, Will.
(Ela entrega uma moeda ao barqueiro e corre para casa)
Barqueiro:
- Obrigado, minha dama!
Will:
- Dama?
Barqueiro:
- Viola De Lesseps. A conheço desde pequena. Não enganaria nem a uma criança.
Shakespeare in Love (1998)
- Deu a ela minha carta?
Thomas: (gritando de volta)
- E essa é pra você.
(Will passa para o barco onde está Thomas e lê a carta)
Will:
- Ah, Thomas. Ela me partiu o coração. Estou castrado, irrecuperável e destruído. Como uma marionete em uma caixa.
Barqueiro:
- Escritor ele?
Will: (gritando com o barqueiro):
- Reme seu barco!
Will: (falando com Thomas)
- Ela disse pra me afastar. Vai se casar com Lord Wessex. O que eu faço?
Thomas:
- Se a ama tem de fazer o que lhe pede.
Will:
- E partir seu coração e o meu?
Thomas:
- Só pode saber do seu!
Will:
- Ela me ama, Thomas!
Thomas:
- Ela disse isso?
Will:
- Não. Mas suas lágrimas molharam a tinta. Ela chorava quando lhe entregou isto?
Thomas:
- Eu... A carta veio pela ama.
Will:
- Sua tia?
Thomas:
- Sim, minha tia. Talvez tenha chorado um pouco. Conte-me como a ama, Will.
Will:
- Como uma doença e sua cura, juntas.
Thomas:
- Sim, como a chuva e o sol, como o frio e o calor. Ela é bonita? Desde que eu vim do interior, não a vi de perto. Conte-me, ela é bonita?
Will: (olhando nos olhos de Thomas)
- Oh, se eu pudesse escrever a beleza de seus olhos. Eu nasci para viver e admirá-los.
Thomas:
- E seus lábios?
Will:
- Seus lábios. A rosa da manhã murcharia no galho de inveja.
Thomas:
- E sua voz? Como o canto da cotovia?
Will:
- Mais profunda. Mais suave. Não como o gorjeio da cotovia. Eu expulsaria os rouxinóis para que não interrompessem sua cantoria.
Thomas:
- Ela canta também?
Will:
- Constantemente. Sem dúvida. E toca alaúde, naturalmente. E os seios? Já mencionei seus seios?
Thomas:
- Que tem seus seios?
Will:
- Oh Thomas, redondos e firmes como um par de raras maçãs douradas.
Thomas:
- A acho inteligente por manter seu amor à distância. Que dama poderia viver à altura, quando seus olhos, seus lábios e sua voz podem ser mais belos que os meus? Além disso, pode uma dama nobre e rica casar com um desafortunado e pobre poeta de beira de rio?
Will:
- Sim! Por Deus! O amor desconhece posição ou lugar. Existe entre uma Rainha e um pobretão que se faz o Rei, e seu amor deve ser respeitado por isso, porque o amor negado destrói a alma que recebemos de Deus! Então diga a minha dama que Willian Shakespeare a espera no jardim!
Thomas:
- Mas e Lord Wessex?
Will:
- Por um beijo, enfrentaria mil Wessex!
(O barco chega à casa dos De Lesseps. Thomas beija Will, que fica sem ação)
Viola:
- Oh, Will.
(Ela entrega uma moeda ao barqueiro e corre para casa)
Barqueiro:
- Obrigado, minha dama!
Will:
- Dama?
Barqueiro:
- Viola De Lesseps. A conheço desde pequena. Não enganaria nem a uma criança.
Shakespeare in Love (1998)
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Entregue
“A avareza é sem dúvida um dos sinais mais confiáveis de infelicidade profunda” Franz Kafka
Ele parecia não mais se importar. Trabalhava única e exclusivamente em invalidar os passos de seu coração. Por onde andou tentava a nulidade. Despercebido, sem sombra pra sequer acompanha-lo. Caminhou entre ondas de um querer inimaginável. Sabia que dali alguns instantes outros ventos o levariam ainda mais distante. Onde procurava desaparecer novamente. Um café numa mesa com uma flor no centro. Pensamento vai ao longe. Será preciso mais uma vez procurar suas profundezas. O café foi bom para o despertar. Ele se viu envolvido no fundo dos seus olhos. Agora não mais pede por amor. Porque por amor não se pede. Ele se entrega com toda sua força. Ele e o amor. Não tolera mais nem um minuto a avareza de qualquer sentimento.
Ele parecia não mais se importar. Trabalhava única e exclusivamente em invalidar os passos de seu coração. Por onde andou tentava a nulidade. Despercebido, sem sombra pra sequer acompanha-lo. Caminhou entre ondas de um querer inimaginável. Sabia que dali alguns instantes outros ventos o levariam ainda mais distante. Onde procurava desaparecer novamente. Um café numa mesa com uma flor no centro. Pensamento vai ao longe. Será preciso mais uma vez procurar suas profundezas. O café foi bom para o despertar. Ele se viu envolvido no fundo dos seus olhos. Agora não mais pede por amor. Porque por amor não se pede. Ele se entrega com toda sua força. Ele e o amor. Não tolera mais nem um minuto a avareza de qualquer sentimento.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Olá problema

Olá problema. Você quer saber o que vai de mim já por agora...
Não por onde passamos, nem por onde estamos neste momento. Se com a corda no pescoço ou simplesmente sentindo o cheiro de uma dama da noite. A praça parece menor, a cidade não parece sair dali, o seu estado não tem mais a força que tivera e você ainda se agarra a coisas tão pequenas. O que aconteceu nesta caminhada?
O seu rosto já é diferente! Longe me vejo em outros braços e seu rosto passa como um reflexo do que antes nunca passara despercebido. Agora vai querer me convencer que estes poucos dias te fizeram assim. Não é possível passar uma gota desta culpa. Ela é toda sua. E deste momento em diante eu não ouço mais a próxima palavra sem que a anterior seja aceitação!
Já me passaram tantas coisas e eu ainda tento me convencer que este é o melhor caminho. Não tenho mais tanta certeza do que será o certo e do errado eu vou me virando. Até um dia, mesmo que sem definição nenhuma, aos trancos e barrancos, possamos nos encontrar mais uma vez.
Neste caso mal resolvido, entremeado por todos os possíveis detratores, seu olhar continuará passando pela minha porta. E se eu olhar pela janela é você quem eu vejo. Desde quando eu me deito ou viro até o sino soar. Um passo único em que eu não consigo e nem quero me virar! Se uma lágrima por alguma vez cair, o mundo pode revirar. É um tipo de efeito borboleta. E aí você já passou! Até a próxima.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Atenção
Duas pombas viviam sobre as vigas de madeira de uma casa antiga que pertencia à família do Sr. Malta. Aurora e Julieta tinham personalidades diferentes, mas isso não fazia delas menos amigas. Passaram toda a vida ali, naquela mesma casa. Não faziam bagunça, não irritavam os proprietários e nem sujavam o local, então viviam tranquilamente. Pelo menos Aurora vivia tranquilamente. O quanto sua paciência com Julieta lhe permitia.
Julieta não deixava a amiga um só minuto em paz. Talvez por não ter ninguém mais com quem conversar ali. Era uma falação só. Fofoca atrás de fofoca. A vida da família parecia sua novela diária e ela não segurava comentário algum. Tudo dentro de sua única e exclusiva visão dos fatos. Para ela, era o que acontecia e o mundo continuava girando. Nada mais importava a não ser falar disto.
Julieta:
- Não está vendo o que acontece, Aurora? Este Sr. Malta não vale um grão de arroz. Sai todas as noites para encontrar os amigos no bar. Bebe todo o álcool possível e só consegue voltar pra casa passada a meia noite. Sinta só o cheiro que fica impregnado em suas roupas! Não vale nada mesmo né!?
Aurora:
- Pare com isto. A casa vai cair para o seu lado.
Julieta:
- Mas veja só como são as coisas, amiga. A Sra. Malta também não deixa por menos. Êta mulherzinha sem vergonha. Acompanha o marido na noite, mas não fala nada. Pelo contrário. Ela trás rodadas e mais rodadas para a mesa. Canta, dança e sapateia. E todos ficam a olhando como uma meretriz!
Aurora:
- Pare já com isto, amiga. Já te disse que a casa vai cair para o seu lado!
Julieta:
- Veja se tem cabimento, Aurora! Será que não vêem o que já fizeram com as crias. O mais velho foi pra cidade grande. Disse que virou ator. Ah, ta. Aposto todo meu milho que está é fazendo programas por lá. E o do meio. Depois de formar advogado foi defender marginais e corruptos. Aposto que é na porta da cadeia que vive. Agora ainda levou o mais novo para ser seu contador e de todos os chefões para quem trabalha. Menino burro esse caçula viu! Também pudera...
Aurora interrompe bruscamente e diz em meio a um rasante em direção à janela:
- Olha só. Eu bem que tentei avisar. Cala essa boca e olha para trás!
Neste momento a única coisa que Julieta vislumbra são seus últimos segundos com uma enorme bola de aço da máquina de demolição vindo em sua direção e levando tudo por onde passa. Em instantes a casa está totalmente no chão e não sobra uma pluma.
O que acontecia ali? Aurora talvez possa lhe explicar.
- O Sr. Malta recebeu uma proposta de uma construtora para construção do maior prédio que a cidade já viu e a costumeira dos encontros para negociação ali eram feitos no bar, regados a muito chopp. Esperto que só, ele levava a Sra. Malta para distrair os empresários e abocanhar um preço maior e mais outras grandes partes da negociação. Assim feito, no final, ele conseguiu quatro super-apartamentos. Um pro casal e um para cada filho.
E os filhos?
- Todos vão muito bem, obrigada.
Simplesmente o que eu acho é que se as pessoas falassem menos e não se preocupassem tanto com a vida alheia, talvez, teriam tempo de ouvir. Principalmente seus próprios amigos.
Julieta não deixava a amiga um só minuto em paz. Talvez por não ter ninguém mais com quem conversar ali. Era uma falação só. Fofoca atrás de fofoca. A vida da família parecia sua novela diária e ela não segurava comentário algum. Tudo dentro de sua única e exclusiva visão dos fatos. Para ela, era o que acontecia e o mundo continuava girando. Nada mais importava a não ser falar disto.
Julieta:
- Não está vendo o que acontece, Aurora? Este Sr. Malta não vale um grão de arroz. Sai todas as noites para encontrar os amigos no bar. Bebe todo o álcool possível e só consegue voltar pra casa passada a meia noite. Sinta só o cheiro que fica impregnado em suas roupas! Não vale nada mesmo né!?
Aurora:
- Pare com isto. A casa vai cair para o seu lado.
Julieta:
- Mas veja só como são as coisas, amiga. A Sra. Malta também não deixa por menos. Êta mulherzinha sem vergonha. Acompanha o marido na noite, mas não fala nada. Pelo contrário. Ela trás rodadas e mais rodadas para a mesa. Canta, dança e sapateia. E todos ficam a olhando como uma meretriz!
Aurora:
- Pare já com isto, amiga. Já te disse que a casa vai cair para o seu lado!
Julieta:
- Veja se tem cabimento, Aurora! Será que não vêem o que já fizeram com as crias. O mais velho foi pra cidade grande. Disse que virou ator. Ah, ta. Aposto todo meu milho que está é fazendo programas por lá. E o do meio. Depois de formar advogado foi defender marginais e corruptos. Aposto que é na porta da cadeia que vive. Agora ainda levou o mais novo para ser seu contador e de todos os chefões para quem trabalha. Menino burro esse caçula viu! Também pudera...
Aurora interrompe bruscamente e diz em meio a um rasante em direção à janela:
- Olha só. Eu bem que tentei avisar. Cala essa boca e olha para trás!
Neste momento a única coisa que Julieta vislumbra são seus últimos segundos com uma enorme bola de aço da máquina de demolição vindo em sua direção e levando tudo por onde passa. Em instantes a casa está totalmente no chão e não sobra uma pluma.
O que acontecia ali? Aurora talvez possa lhe explicar.
- O Sr. Malta recebeu uma proposta de uma construtora para construção do maior prédio que a cidade já viu e a costumeira dos encontros para negociação ali eram feitos no bar, regados a muito chopp. Esperto que só, ele levava a Sra. Malta para distrair os empresários e abocanhar um preço maior e mais outras grandes partes da negociação. Assim feito, no final, ele conseguiu quatro super-apartamentos. Um pro casal e um para cada filho.
E os filhos?
- Todos vão muito bem, obrigada.
Simplesmente o que eu acho é que se as pessoas falassem menos e não se preocupassem tanto com a vida alheia, talvez, teriam tempo de ouvir. Principalmente seus próprios amigos.
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Contos/Crônicas
domingo, 25 de julho de 2010
Schrödinger's cat

É como lutar contra a gravidade, sabe? Você sempre vai cair de cara no chão!
Naqueles tempos eu ainda acreditava que poderia dar certo. Tudo fica embaçado, turvo, embriagado. Você espera que tudo dê completamente certo, sem arestas para se aparar e sem espaços para o que possa dar errado. O tempo está bom, os dias passam na sua precisa velocidade e você está completamente satisfeito com o som, as cores e o cheiro de tudo. Pois é, você está apaixonado! Você simplesmente esquece que este seu desejo não comanda nem um outro e é extremamente individualista. Ele lhe tira a razão, o senso de direção e todo e qualquer sono, mesmo que seja o seu miserável sono de algumas poucas horas num final de madrugada. Esta razão é seu pior inimigo. É seu primeiro combate e uma vez vencido não resta nada o que fazer. Assim fico. Mão no queixo, à espera. Olhos grudados em uma foto sua. O pensamento voa, o coração dispara como uma bala e não vê quando chega perto. É a rapidez do sonho. Já atinge o alvo sem que conte até três. Não é possível voltar atrás. Desta caminhada o que se pode é virar. Pena que todas as esquinas me levem de volta. Voltas e mais voltas necessárias para que você tenha um minuto de vantagem. Não é muita coisa, eu sei, mas pode-se amedrontar. Sabe-se que, de toda maneira, é claro que precisamos ver no que vai dar. Ah, eu não quero saber agora! Eu quero a conveniência por enquanto. E assim pensar que ainda tenho uma gatinha na caixa! Cara esperto esse Schrödinger viu...
“IT’S FUNNY HOW FALLIN’ FEELS LIKE FLYIN’
FOR A LITTLE WHILE”
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Numb
00:34:41
- Hudson, o que você busca em um relacionamento?
- Basicamente alguém que me suporte. E você?
- Bem, eu queria saber que, mesmo se eu perder meus braços e pernas, continuaríamos juntos. E quando ele disser meu nome, soar diferente se sair de sua boca. Sabe, me sentir segura com ele. Ou que eu ponha perfume e ele ponha colônia e que ao sairmos juntos possamos nos sentir. Que me faça sorrir quando estiver cansada. Isso é importante. Ou que lhe diga alguma coisa que você tenha medo de dizer por que acha que assim ele não te amará, mas quando você diz, fica surpreendida, porque pelo contrário. Faz ele te amar ainda mais. Ou dizer que gosto de sua camisa e ele então usar ela todos os dias. Meu maior exemplo disso são meus avós. Minha avó tem artrite nas mãos e não pode se dobrar pra pintar as unhas. Então meu avô faz isto por ela, o tempo todo. Mesmo que ele também tenha artrite nas mãos.
- Então, gostou da casa?
- Eu gostei de você!
01:26:18
- Oi.
- Deus, oi.
- Como você está?
- Estou bem.
- Bom.
- Como você está?
- Estou bem.
- Bom.
- Estou melhor. Digo, eu nunca vou ser normal. Ainda me sentirei muito mais confortável às 4:45 na esquina da Av. Ventura com Woodman. Ei, olha, eu não quero te prender. Só quero que saiba que se você perder seus braços e pernas ainda ficaríamos juntos para sempre. Espero que isso não aconteça porque seus membros são maravilhosos. E quando eu disser seu nome sempre soará seguro. Não estou certo quanto ao perfume e colônia, mas eu poderia tentar. Poderia comprar algum. Eu sempre tentaria te fazer sorrir quando estivesse cansada. Sei que você acha que isso é muito difícil, mas eu acho que poderia fazê-lo. E você nunca deve ter medo de me dizer nada. E se você gostar dessa camisa, eu não a tiraria por um mês. E estaria disposto a pintar as unhas da sua avó para seu avô não ter de fazê-las mais. Você não tem que me salvar, Sara. Mas eu te amarei pelo resto da minha vida, assim, as coisas seriam bem melhores para mim se você estivesse por perto. Está bem.
Numb (2007)
- Hudson, o que você busca em um relacionamento?
- Basicamente alguém que me suporte. E você?
- Bem, eu queria saber que, mesmo se eu perder meus braços e pernas, continuaríamos juntos. E quando ele disser meu nome, soar diferente se sair de sua boca. Sabe, me sentir segura com ele. Ou que eu ponha perfume e ele ponha colônia e que ao sairmos juntos possamos nos sentir. Que me faça sorrir quando estiver cansada. Isso é importante. Ou que lhe diga alguma coisa que você tenha medo de dizer por que acha que assim ele não te amará, mas quando você diz, fica surpreendida, porque pelo contrário. Faz ele te amar ainda mais. Ou dizer que gosto de sua camisa e ele então usar ela todos os dias. Meu maior exemplo disso são meus avós. Minha avó tem artrite nas mãos e não pode se dobrar pra pintar as unhas. Então meu avô faz isto por ela, o tempo todo. Mesmo que ele também tenha artrite nas mãos.
- Então, gostou da casa?
- Eu gostei de você!
01:26:18
- Oi.
- Deus, oi.
- Como você está?
- Estou bem.
- Bom.
- Como você está?
- Estou bem.
- Bom.
- Estou melhor. Digo, eu nunca vou ser normal. Ainda me sentirei muito mais confortável às 4:45 na esquina da Av. Ventura com Woodman. Ei, olha, eu não quero te prender. Só quero que saiba que se você perder seus braços e pernas ainda ficaríamos juntos para sempre. Espero que isso não aconteça porque seus membros são maravilhosos. E quando eu disser seu nome sempre soará seguro. Não estou certo quanto ao perfume e colônia, mas eu poderia tentar. Poderia comprar algum. Eu sempre tentaria te fazer sorrir quando estivesse cansada. Sei que você acha que isso é muito difícil, mas eu acho que poderia fazê-lo. E você nunca deve ter medo de me dizer nada. E se você gostar dessa camisa, eu não a tiraria por um mês. E estaria disposto a pintar as unhas da sua avó para seu avô não ter de fazê-las mais. Você não tem que me salvar, Sara. Mas eu te amarei pelo resto da minha vida, assim, as coisas seriam bem melhores para mim se você estivesse por perto. Está bem.
Numb (2007)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Leaving on a Jet Plane
All my bags are packed, I'm ready to go.
I'm standing here outside your door
I hate to wake you up to say Goodbye
But the dawn is breaking it's early morn
The taxi's waiting he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die
So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'cause I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go
There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now they don't mean a thing
Everyplace I go I'll think of you
Every song I sing I'll sing for you
When I come back I'll bring your wedding ring
So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'cause I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go
Well the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Then close your eyes and I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave you alone
About the times I won't have to say Goodbye
So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'cause I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Lado B

Sigo como se nada tivesse acontecido. Ninguém tivesse me tocado. Não tenho parada. Qualquer caminho fui eu mesmo que fiz. E agora algum rastro me persegue. Trilhas e mais trilhas e eu vou correr deste? Não posso, desde minha última cirurgia. O coração já não agüenta mais. Quando foi que ele te viu pela última vez e pulou do peito? Nem sombras, nem o vento, nem nada. O que acontece daqui tem que acontecer de lá. Sou o mesmo do outro lado. Só que invertido.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Enquanto

Um dia eu quis trocar cartas com você. Queria dizer que sinto sua falta, mesmo que há poucas horas eu tenha te visto. Que sua companhia me alegra por qualquer minuto e que mesmo por segundos eu estaria perfeito se estivesse com você. Na verdade não sei bem porque falar desta besteira, pois, qualquer pessoa estaria. Você é inteligente, doce, engraçada e simplesmente linda como se não quisesse ser. Isso não acontece.
Eu falo todas as besteiras possíveis que fariam qualquer um esconder-se no próximo dia e nunca mais sair à luz do sol. Espanta-me que minha respiração se exalte quando penso em você e me falte na sua presença. Não sei como e nem o que falar nestas horas. E agora a mente viaja. Por caminhos que não conhecem nossas pegadas, ainda. E as horas me pregam peças. Como se voassem quando qualquer pensamento meu pudesse por alguma desiludida razão te encontrar.
Perdido entre alguns destes caminhos eu acelero o passo pra ver se te encontro. E posso correr quatro ou cinco vezes a mesma distância. Quando você não quer sair de casa, tudo bem. Se você não quiser falar com alguém, também. Ainda estou no passo, e, passo. Você pode ficar em qualquer lugar que considere seu ‘forte’. Ou então sair em ‘campanha’ por onde quer que a poeira dos ventos lhe sopre. Aconteça o que acontecer, sob qualquer tempestade, eu estarei por perto para curti-la.
Algum dia você poderá, novamente, sentir minha mãos. Mesmo que eu esteja tão envergonhado pra lhe dizer. Elas não entendem disso. Só querem que você segure firme e pule. E, tão facilmente, assim meu coração volta a acelerar sem parada. Porque, de alguns e outros momentos, este não se iguala. E como num filme, sem graça, eu procuro lhe dizer que queria trocar cartas com você. Pra lhe dizer que me apaixonei por você!
Desta vida as linhas não se acabam...
quarta-feira, 14 de julho de 2010
If I Can Dream
There must be peace and understanding sometime
Strong winds of promise that will blow away
The doubt and fear
If I can dream of a warmer sun
Where hope keeps shining on everyone
Tell me why, oh why, oh why won't that sun appear
We're lost in a cloud
With too much rain
We're trapped in a world
That's troubled with pain
But a long as a man
Has the strength to dream
He can redeem his soul and fly
Deep in my heart there's a trembling question
Still I am sure that the answer, answer gonna come somehow
Out there in the dark, there's a beckoning candle...oh yeah
And while I can think, while I can talk
While I can stand, while I can walk
While I can dream, please let my dream
Come true, right now
Let it come true right now
Oh yeah
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Na estação
Mesmo que o frio
Acabe em nós
Simples e esguio
Cortando a pele
Noutra estação
Ou num temporal
Antes como o clarão
Tire-nos da rede
Para que assim
Tente
E somente nos aumente
A sede
Que nos trajes de hoje, revele
Renegando qualquer desejo
E possa em seu tempo
Parar por um segundo e um reles beijo.
Acabe em nós
Simples e esguio
Cortando a pele
Noutra estação
Ou num temporal
Antes como o clarão
Tire-nos da rede
Para que assim
Tente
E somente nos aumente
A sede
Que nos trajes de hoje, revele
Renegando qualquer desejo
E possa em seu tempo
Parar por um segundo e um reles beijo.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Espera?

Eu sou seu cachorro, que lhe espera voltar de qualquer lugar que tenhas ido e quando chega te lambe como se nada tivesse acontecido. Não pensa e nem importa onde, quando e com quem estivera. Tem você como um prêmio por ter agüentado horas sem sua presença. Coisa quase impossível. Sua presença é o ar! E assim que lhe vê corre, pula e te abraça como pode para um momento em que queria lhe dizer: Amo-te, não me deixe por muito tempo nunca mais.
Eu sou seu gato, que fica quando você sai. Que sai quando você sai. E que simplesmente sai por natureza. Não espere que ele, por algum raro motivo, intempestivamente resolva ficar. O que acontece com ele é diferente. E diferente do que você possa pensar ele pensa em você o tempo todo. Não consegue se encontrar. Por mais que ande fica perdido. Entre gatas e lixos. Sempre fica com um olho no peixe e o outro na hora de voltar para seus braços.
Eu sou também seu homem. Este que você está e este que te quer pelo fim de nossas vidas. Na verdade, ele está completamente e absurdamente apaixonado por você. Não pode nem pensar em um momento em que você não esteja presente. Sua presença faz de tudo mais suportável quando nem tanta coisa é. O que faz você ser possivelmente minha única salvação. Deito-me e acordo. Assim ainda continuo pensando em você e nada muda. O que eu posso sempre, talvez, é voltar àquele ponto.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Talvez

Em meus sonhos ainda volto aos dias em que posso lhe rever. São poucos e hoje ainda uma névoa me atrapalha. Sem enxergar tudo claramente posso, mesmo que por instantes, te perder num estalar dos dedos. Na luta por ficar mais um pouco te olhando eu não me entrego. Corro, torço e forço todas as pontas para que, vez ou outra, você sinta meu coração. Não consigo dizer nada. É como tentar gritar pelo vidro a prova de som. Se nos vejo no parque não quero te perder, se na praça não quero te deixar e mesmo quando não te vejo ainda penso no que poderia. E como eu queria te abraçar. Olhar em seus olhos e dizer: É aqui que você deve ficar! Agora, espero por mais coragem. Ou mais força quem sabe. É possível que nos esbarremos por algum canto. Não é provável e isso me entristece e me tira o ar. Assim, acordo de um pulo e suando por todo o esforço que precisava de mais um segundo do seu olhar.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O FASCÍNIO DO IMPOSSÍVEL
A vida se divide
entre o possível
e o impossível.
Confesso que o impossível
me fascina muito mais.
Assim, talvez, eu entenda
este sentimento que não se explica
e que faz do amor e da vida
fantasias tão reais.
Você passa por mim
como o vento
que não se toca, nem vê
mas por um momento
deixa a sensação
de que nada termina jamais.
Daí, me sinto como um peixe
que ao nadar na maré cheia
quebrando na praia deserta
só percebe que o mar foi embora
quando fica encalhado na areia.
Dilermando Cardoso
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Parecer
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Estou a dois passos do carrasco. De lá só tenho asas e em meus mais profundos sonhos não poderia acontecer nada nem um pouco parecido com isto. Sou algum modelo do que era em outros tempos. O que me importava já não basta e o que me basta já não importa. Estou sempre à procura do algo mais. Aquele algo mais que nos falta em nosso sempre indesculpável finalmente.
Agora passo um ou outro dia sem saber se terminarei. Se terminarei minha cerveja, minha frase, ou minha mísera respiração. Hoje pode ser indiscretamente raro, pois te vi em sonhos estranhos durante toda a noite, mas é só verdade que eu penso nisto desde a manhã e o resto do dia! Será que alguma coisa me faça desejar-te menos?
Sinceramente não tenho a menor idéia do que nos possa acontecer nestas próximas horas. Eu sei que mesmo próximos, estamos a milhas distantes. E não há maré que nos direcione o quanto remar é preciso. Não que isto já funcionou alguma vez. Mas eu sempre rumo em tua direção. Somente tenha esta certeza! Não será mais tão difícil. Então, quando seremos nós dois em nosso próprio mundo? E nós contra tudo e todo o resto. Àquele em que o dia passa extremamente devagar. Pois, se passa rápido é porque estamos juntos. Se estivermos juntos temos todo o tempo e nada, nem ninguém mais importa neste mundo!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
In'verso
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Dos tempos

Espero que você veja, essencialmente, como me sinto. Fácil como ver você dormindo. Por muito tempo, eu sem saber me expressar, posso ter passado a impressão errada. As coisas acontecem tão rápidas e a gente às vezes se perde. É tão transparente que até me mete medo. De tantas em tantas eu ainda tenho alguns pedaços. Seu cheiro ainda está presente no quarto. Vejo tranquilamente, em cores, seu rosto no corredor. Olhando pra trás e me querendo mais perto para aproveitar sua pele em um último e delicado instante. E contando os passos nós ainda trocamos mais juras de amor. Não sei do amanhã e não tenho a menor intenção de procurá-lo agora. ‘Cause I’m leaving on a jet plane. Os dados não fazem mais o menor sentido. E qualquer duplo sentido se perde no nosso tempo. Deixe que me encontre quando a temperatura não mais me acobertar e a saudade me deixar entregue de bandeja. Por enquanto estou seguindo seus passos e é bom que eles sempre me levem de encontro a você. Exatamente como o meu pensamento quando escuto aquela música. Mesmo que por agora eu não possa te alcançar. De olhos fechados acerto sua direção. E onde você estiver, em qualquer lugar do planeta, em pensamento eu lá também estarei.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Pensar, pensar
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma."
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
- José Saramago 16/11/1922 - 17/06/2010
Este é o último post do blog Outros Cadernos de Saramago, postado hoje pela Fundação José Saramago, um dia após a morte do escritor português. Acredito que, hoje, toda a tinta que saia da pena seja tristeza. E, se Saramago estiver com Deus agora, provavelmente estarão discutindo as ideias do escritor.
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
- José Saramago 16/11/1922 - 17/06/2010
Este é o último post do blog Outros Cadernos de Saramago, postado hoje pela Fundação José Saramago, um dia após a morte do escritor português. Acredito que, hoje, toda a tinta que saia da pena seja tristeza. E, se Saramago estiver com Deus agora, provavelmente estarão discutindo as ideias do escritor.
domingo, 13 de junho de 2010
Entre eu e eu mesmo

Sempre insatisfeito, quase nunca só com uma coisa, lamento não agradecer pessoalmente. O momento é bom para expressar muito e repensar um pouco. Nem todo o ouro do mundo compraria meus minutos mais preciosos. E se, por um mero acaso, não lhe interessa, é aconselhável que pare imediatamente. Bons tempos, com gesso na perna por mais de uma vez o mesmo osso quebrado. Também alguns e outros pontos, visíveis ou não. Aos meus dois melhores amigos devo minha vida em fortuna. Paixões verdadeiras e um amor pra vida inteira. Nunca lhes poupei elogios nem meu esforço e não há do que se arrepender. Entre todos os erros e acertos tive o que pedi. Corri sempre que as pernas agüentaram. E se não corri, fiquei e lutei. Às vezes até perdido. E assim permaneci por alguns tempos. Sempre tendo noção de onde era o meu norte. Deste pouco que sou me fiz produto do gosto irrefutável dele e dela. Diz pra mãe que amo sim o seu frango com arroz. E toda e qualquer outra coisa que ela faça. Pede desculpas pro pai por ter sentado no lugar errado do ônibus. E que sentirei falta de sua companhia invisível e onipresente. Se por algum erro na contagem ainda estiver por aqui, diga a todos que continuarei fazendo tudo da mesma maneira que sempre fiz. Com amor no salto do peito. Diz também que cheguei bem e que já estou indo dormir. Só morri por um instante.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Impreciso
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Lucy in the sky with diamonds

Força de titã é necessária pra que eu pare meus movimentos que sempre querem ir de encontro a você. Contar-te porque passei aquela noite simplesmente te olhando. Você num céu cheio de estrelas em que cada uma seja bolinha de teu vestido. Me pego em pensamentos claros como seu sorriso e não mais o mundo me encontra. A música que toca não tem a menor chance contra teu olhar. E eu não me importo mais com ela ou qualquer outra coisa que seja. Se ao menos eu pudesse te contar. Quando foi que isto me impediu?! Ah, aquela tal maldita força.
Deitado na grama ou perdido em passos tortuosos por entre caminhos antes conhecidos eu não parei. Fico girando em um único e desolado compasso onde sequer recordo a tua direção. Naquela rua de pedras esquecidas onde as árvores se inclinam por cima tentando com movimentos certeiros esconder o teu brilho. Quase atingem umas as outras em um conluio de esforços. Sempre em vão!
E agora que fico mais novo a cada anoitecer, corro por onde possamos nos encontrar novamente. Paro em todo canto pensando que posso ter visto teu relance. Eram somente os diamantes brilhando naquele teu céu. Ofuscando toda e qualquer paródia do gostar singelo que meu apreço imaginou oferecer alguma outra vez. E mesmo que ainda não, nem este pouco, continuo por aí. A espera que um dia, por mais imprevisível, ainda assim minha força não seja mais contrária. Será uma força que lhe trará a chuva torrencial. De um sentimento sem igual.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Instantâneo

Foi incrível como que se o vento a tivesse trazido. Do mesmo jeito que sempre foi. Eu não perguntaria por nada. Simplesmente acontecera e eu me dava por contente. Este mesmo vento, tão rápido quanto inseguro, quase nunca no mesmo passo que eu. Passa e leva todo e qualquer alento. Resta somente o breu. E não sei por que, ainda não esperava por essa. Seu cabelo loiro como o girassol, iluminou minha noite, enrubesceu meu pensamento e eu finalmente acordei do sono chato de não saber. Pena que, assim, te empurrei para a toca do coelho.
Animal traiçoeiro. Leva-te como se não existisse mais nada além. E tu me escapas por entre os dedos. Estes coelhos têm alguma coisa de errado já na maneira de ser. Um poder sensorial descomunal. Pode ver o ambiente que o rodeia atrás de si, sem mexer o pescoço. Eu, míope, quase cego, não te vejo mais. Se foi com meu presente. Restam-me as águas de um hoje completamente cinza.
E nós, aqui sentados frente a frente. Sinto seu cheiro, doce como o chocolate de um gato da páscoa. Seu olhar, que parece ir até os confins de minh’alma e voltar num segundo. Sorriso que me encanta e destrói barreiras antes intransponíveis. Beijo que me aquece e me cala instantaneamente. Braços que me abraçam e mãos que me seguram. Algum resquício alimenta a teimosia do querer por onde quer que eu vá. Nem sempre é assim. Mas fico aqui. Nas mesmas coordenadas de outrora para que às vezes, mesmo que em um sonho louco, também caia por esta toca e possa quem sabe te reencontrar para um chá.
Que me perdoe o Raul, mas esta camisa amarela nunca lhe caiu tão bem.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Espero por/ser ela!

Por muito menos que um suspiro já me atirei naquele rio escuro, louco e tão veloz que acordei com gosto de barro na boca. Não estava tão a fim de fazer as malas, então simplesmente me mudei. Pra onde quer que seu sorriso me impeça de correr. Paralisante como seu jeito de me acordar em um domingo já calmo. E ansioso fico quando nele não te vejo. Será Amelie?
Agora estás por aí, vagando assim como eu. E nesse instante, como em qualquer outro, me pego pensando em você. No que foi e no que poderia ter sido. Como olhar e moldar as nuvens de algodão. Foi, mudou. Tamanha é a minha vontade de te contar tudo o que aconteceu naquela viagem que a gente nunca fez. Pois é. Não quero mais fazê-las sozinho. É só me dar a mão.
E se, por qualquer desavença nossa com o tempo, este não quiser que a gente vá, então sempre poderemos fugir. Soa ainda mais divertido. Para onde ninguém nos conheça. Um lugar onde o mundo passa a ser somente eu e você! Preparo-te aquele café com ovos mexidos de outras manhãs. Sentamos os dois na rede da varanda e escutamos cada pingo de chuva. E sentimos frio juntos. Porque tanto assim, quero sentir todo o resto junto de ti!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Querida Karen
Querida Karen, se está lendo isto significa que finalmente tive coragem pra enviar. Bom pra mim. Você não me conhece muito bem, mas quando conhecer vai ver que tenho tendência de falar e falar sobre como escrever é difícil pra mim. Mas isso, isso é a coisa mais difícil que já tive que escrever. Não tem um jeito fácil de dizer isso, então vou só dizer: Conheci alguém. Foi acidental, eu não estava à procura, eu não estava à caça. Foi uma tempestade perfeita. Ela disse uma coisa, eu disse outra. Em seguida eu soube que queria passar o resto da vida naquela conversa. Agora tenho essa sensação no peito. Pode ser ela. Ela é totalmente louca, de um jeito que me faz sorrir, altamente neurótica. Grande manutenção necessária. Ela é você, Karen! Essa é a boa notícia. A má é que não sei como ficar com você agora. E isso me assusta pra caralho. Porque se eu não ficar com você agora, tenho a sensação de que vamos nos perder por aí. É um mundo grande, malvado, cheio de reviravoltas. E as pessoas têm um jeito de piscar e perder o momento. O momento que podia ter mudado tudo! Eu não sei o que está acontecendo com a gente, e não sei te dizer por que você deveria arriscar um salto no escuro pra gostar de mim, mas, porra, você cheira bem como um lar. E você faz um café ótimo, isso deve contar pra algo, certo? Me liga. Infielmente seu, Hank Moody.
- Trecho extraído de 'Californication' (Showtime)
- Trecho extraído de 'Californication' (Showtime)
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